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Crise fiscal europeia e novos sinais de fragilidade da economia americana trazem cautela aos mercados

Investidores iniciam os negócios mais avessos a assumir riscos. A novela da crise fiscal europeia segue sem solução e novos sinais de fragilidade da economia americana estimulam a cautela nos mercados. No Brasil, em dia de vencimento do contrato futuro do Ibovespa e de opções sobre o índice, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue a baixa internacional.

Por volta das 11h20, o Ibovespa cedia 0,51%, aos 61.890 pontos, e girava R$ 1,1 bilhão. Na BM&F, o índice futuro, com vencimento em junho, declinava 0,61%, com o registro de 61.910 pontos. Ontem, o Ibovespa havia registrado alta de 0,29%, aos 62.204 pontos.

Nos Estados Unidos, instantes atrás, o índice Dow Jones diminuía 0,60%, o S&P 500 recuava 0,63% e o Nasdaq registrava baixa de 0,45%. O mau humor dos agentes é embasado nos mesmos fatores. Na Grécia, o Parlamento vota hoje novas medidas de austeridade para tentar controlar o nível de endividamento do país e ganhar mais apoio dos pares europeus.

A crise segue fazendo novas "vítimas". A Moody's decidiu colocar os ratings de força financeira, de depósito e da dívida de longo prazo dos bancos franceses Crédit Agricole, BNP Paribas e Société Générale em revisão para possível rebaixamento, por causa da exposição à crise da dívida da Grécia. Nos Estados Unidos, a decepção com a evolução econômica persiste.

Entre os destaques do dia, levantamento da unidade regional do Federal Reserve (Fed, o banco central do país) mostrou que as condições para os empresários manufatureiros na região de Nova York pioraram sensivelmente. O indicador que mede o desempenho do setor ficou abaixo de zero pela primeira vez desde novembro de 2010, ao marcar -7,79 em junho. Um mês antes, o indicador estava em +11,88.

Além disso, a produção industrial dos Estados Unidos cresceu 0,1% em maio, um pouco abaixo do esperado, seguindo estabilidade um mês antes. Do lado inflacionário, o mercado não teve surpresas.

O índice de preços ao consumidor americano aumentou 0,2% em maio, metade da taxa apurada em abril, considerando uma base ajustada sazonalmente. Em 12 meses, o indicador subiu 3,6%. Na cena corporativa, o recuo dos preços das commodites prejudicava o desempenho das ações de maior peso no mercado brasileiro.

Minutos atrás, os papéis PN da Petrobras cediam 0,46%, a R$ 23,49, enquanto as ações PNA da Vale caíam 1,01%, a R$ 43,07. Além disso, OGX Petróleo ON perdia 0,68%, a R$ 14,46. Destaque de baixa ainda para as ações Bradespar PN (-1,34%, a R$ 38,17), Hypermarcas ON (-1,69%, a R$ 15,08) e Telemar ON (-1,83%, a R$ 27,82).

Brasil Ecodiesel ON ainda recuava 1,42%, a R$ 0,69. A empresa resolveu formar um comitê interno para avaliar a incorporação da produtora de soja e algodão Vanguarda. A decisão representa uma mudança de posição da Brasil Ecodiesel. Matéria do Valor do mês passado deu conta que o conselho de administração da empresa tinha negado a criação de um comitê independente para analisar a proposta e benefícios da incorporação.

No campo positivo, entre as poucas baixas do Ibovespa, CSN ON subia 0,51%, a R$ 19,65, TIM Participações PN avançava 0,78%, a R$ 7,70, e PDG ON ganhava 0,99%, a R$ 9,13. Brasil Foods ON ainda se apreciava em 1,87%, a R$ 24,94, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciar o adiamento do julgamento da compra da Sadia pela Perdigão.

Com isso, a Brasil Foods ganha um prazo maior para negociar uma proposta de venda de ativos como fábricas e marcas em troca da aprovação da transação.

No mercado cambial, a trajetória da divisa americana no Brasil está atrelada à cena externa. Há pouco, o dólar comercial subia 0,63%, a R$ 1,592 na venda. Na BM&F, o dólar futuro, com vencimento em julho, tinha apreciação de 0,44%, a R$ 1,597.

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