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Temporada de balanços esquentou apostas. Fim da exclusividade fez Redecard liderar quedas e Vale também fechou no negativo

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,35%, com o Ibovespa, seu principal índice, cotado a 70.320 pontos. O mercado local se descolou dos internacionais, num dia de reação das ações aos inúmeros balanços de peso que foram divulgados entre a noite da quarta-feira e a manhã dessa quinta-feira. Para o sinal negativo, contribuíram sobretudo Vale e Redecard.

Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam de lado, em direções divergentes. Dow Jones caiu 0,11% e Nasdaq subiu 0,16%.

Durante o começo do pregão, o sinal chegou a ser positivo pois, além de repercutir uma série de balanços corporativos, o mercado recebeu bem os dados de emprego nos Estados Unidos. De acordo com o Departamento do Trabalho americano, os novos pedidos de seguro-desemprego no país recuaram em 21 mil na semana passada, no comparativo com a anterior, somando 434 mil.

A virada para o lado negativo, no Brasil, ocorreu por volta das 14 horas e foi puxada pelas ações de Cielo e Redecard, que divulgaram balanços nesta entre a noite de ontem e a manhã de hoje. No fechamento, Redecard liderou as baixas do dia, com -5,7%, e Cielo recuou caiu 1,68%. A Redecard obteve lucro líquido de R$ 324,105 milhões no terceiro trimestre, resultado 2,7% inferior aos R$ 332,973 milhões apurados no mesmo período do ano passado. A concorrente Cielo, por sua vez, informou que seu terceiro trimestre foi marcado por lucro líquido de R$ 488,5 milhões, valor 23,1% acima dos R$ 396,7 milhões de um ano antes.

Com o fim da exclusividade no processamento das operações de cartões, as companhias tiveram aumento de custos, e os primeiros relatórios de analistas tiveram visões negativas. Sobre Redecard, a Ativa diz que os números da empresa vieram pressionados, conforme esperado, pela queda da taxa de desconto após as negociações de contratos realizados pela empresa. "Observamos um aumento acima do esperado em despesas, em todas as linhas, levando à pressão de margens, fruto da estratégia comercial mais agressiva adotada pela companhia diante do acirramento do cenário competitivo."

No Brasil, os investidores também concentram as atenções nos resultados financeiros de Vale, Usiminas e Santander. A mineradora Vale anunciou um lucro líquido 253,4% maior no terceiro trimestre deste ano, de R$ 10,554 bilhões, na comparação com igual trimestre do ano passado, no padrão contábil brasileiro.

Em relatório, o analista do BB Investimentos, Antonio Emílio Bittencourt Ruiz, avalia que a Vale apresentou um ótimo resultado no período, com recordes trimestrais para receita, margens, lucro e geração de caixa. "Esperávamos um forte desempenho baseado no grande aumento da produção e dos preços praticados nos principais produtos", afirmou. "Mesmo assim, os números ficaram bastante superiores às nossas expectativas." As ações PNA da empresa, no entanto, caíram 1,68%. Juntamente com o balanço, a companhia anunciou um plano de investimentos de US$ 24 bilhões em 2001, o que pressiona as projeções dos analistas, pois indica saída de recursos e muito trabalho antes que os aportes se revertam em lucro.

Ainda entre empresas ligadas a commodities, a Usiminas abriu a temporada de resultados entre as siderúrgicas e reportou um crescimento de 14% no lucro líquido do terceiro trimestre, a R$ 495 milhões, apesar de registrar uma queda de 9% nas vendas em volume, em um período marcado por fortes importações de aço no País. As ações PNA lideraram as altas do Ibovespa, com +4,5%.

Já o Santander deu continuidade à divulgação de resultados de grandes bancos, um dia após o lucro trimestral recorde do Bradesco. O Santander lucrou R$ 1,934 bilhões no terceiro trimestre deste ano, considerando o padrão contábil internacional IFRS. O resultado no Brasil representa uma expansão de 31,4% ante igual trimestre de 2009. O aumento foi puxado pela aceleração do crescimento do crédito, aliado a um cenário de inadimplência em baixa. Somente no crédito pessoal a expansão foi de 21% em 12 meses. A ação do banco caiu 1,53%.

Dólar

A retomada da tendência internacional de queda do dólar tirou a moeda norte-americana das máximas em mais de um mês frente ao real, em meio às expectativas sobre a reunião do Federal Reserve. O dólar fechou a quinta-feira a R$1,714, em queda de 0,46%. Na véspera, a divisa subiu a R$1,722, maior nível desde 20 de setembro.

(com agências)

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