Tamanho do texto

Problema pouco é bobagem: em um dia negro para os mercados, numerólogos enxergam nos algarismos a marca da desgraça

Nesta segunda-feira, em um dos tombos mais retumbantes de sua história, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de valores brasileira, chegou ao fim dos negócios com queda de 8,08% . Já seria uma nuvem negra e tanto, a julgar pelo cenário em torno dela: a crise da dívida dos Estados Unidos , a sinuca de bico em que se encontram ricos países europeus, como Itália e Espanha , o impasse cambial chinês (desvalorizo ou não desvalorizo?), o nó apertado que engasga os exportadores brasileiros - a atual cotação do dólar . Como se vê, sobra dor de cabeça. Mas calhou de a queda de 8,08% ter ocorrido em um 8/8.

- Como a crise dos EUA afeta o Brasil

- Entenda a crise global dos mercados

Pois nada é tão ruim que não possa ficar pior. O 8 de agosto cobrou a conta de um mundo desequilibrado, injusto, ganancioso - ao menos de acordo com a numerologia. Para os crédulos, portanto, não há nada de coincidência entre esses algarismos.

O 8 é o número que representa o infinito, a justiça e também a colheita (ou seja, o dinheiro), segundo a numeróloga Ivánï Olívêra. "Estamos na era de Aquário, na qual se precisa um maior autoconhecimento, deixando o dinheiro em segundo plano", afirma. "É justo o que se vê hoje no mundo?" Como a resposta é não, a queda de 8,08% no 8/8 teria ocorrido para baixar a crista de financistas gananciosos.

Outro agravante: estamos no ano de 2011, cujos algarismos somam 4. O número 4 representa o quadrado, a casa, a construção. É hora, portanto, de começar a reconstrução de nosso lugar no mundo. Quem queria ganhar dinheiro, deveria tê-lo feito em 2010 - cujos algarismos somam 3, o número da comunicação, da criatividade. "Se você é criativo, você está ganhando", afirma a numeróloga.

O 8 é também um enigma, diz a numeróloga Yolanda Hollanda. "É por isso que acontecem essas coisas (fortes quedas das bolsas). Todo mundo conhece uma história de quem tem muito e de repente não tem nada. É preciso uma ligação mais forte, uma religião, e não só o dinheiro".

(Platão, o filósofo grego, diria mais: "uma boa decisão é baseada em conhecimento, e não em números").

Sobre o ano de 2011, Yolanda já tinha escrito: "É bom que as pessoas que gostam de promover festas pensem bem - este será um ano de controle financeiro". Por sorte, o número da presidenta Dilma Rousseff é o 3. "É o da comunicação. Ela vai ter condições de contornar os problemas e fazer acordos". O número de Dilma, frise-se, é o da comunicação.

"O céu não tem moral"

A astróloga Monica Horta não luta com as armas da numerologia, mas não deixa de fazer contas. Tem enxergado no céu ângulos de 90º entre Plutão, Urano e Saturno, e isso não é nada bom. "Há um grau de tensão muito raro. Igual a ele, apenas o que se viu em 1929 e começo de 1930", afirma. Esse foi, como se sabe, o período do crash da Bolsa de Nova York, que abriu alas para uma década de recessão e pôs condimentos no caldeirão em que o nazifascimo cozinhou.

Plutão sairá de seu posto apenas em 2022 - ou 14 anos depois do primeiro momento de tensão coprotagonizado por ele, a crise de 2008. Só depois disso será possível enxergar se o próximo momento da humanidade será positivo ou negativo. "Se é que o mundo dura até lá", diz. Valha-nos o ex-planeta .

E mais: esta não é apenas uma débàcle financeira. "A hierarquia do mundo vai mudar. São outros paradigmas que se aproximam", diz a astróloga. "O capitalismo não dá mais. Agora acabou o capitalismo e vai vir o socialismo? Eu sei lá o que vai vir. O céu não tem moral".

Já há quem ache que o tombo dos mercados registrado ontem é o menor dos nossos problemas.

As análises sobre a crise:

- HSBC fala em "podridão fiscal" e "bagunça orçamentária" dos EUA

- Ocidente perde importância na economia global, diz BNP Paribas

- Mercado continuará comprando títulos dos EUA, diz BlackRock

- BC dos EUA deve sinalizar mais ajuda, dizem analistas

- Evitar nova recessão é missão impossível, diz Nouriel Roubini, o Dr. Catástrofe

    Leia tudo sobre: bovespa