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Bolsa de Valores de São Paulo seguiu a trajetória do mercado externo e perdeu os 62 mil pontos; nos EUA, bolsas também recuaram

Declarações atrapalhadas do novo governo da Hungria sobre déficit público e a retomada pouco vigorosa do mercado de trabalho nos Estados Unidos deram uma lufada de pessimismo aos mercados nesta sexta-feira, trilha seguida pela Bovespa, que teve o pior dia em duas semanas. Pressionado principalmente pela blue chip Vale, o Ibovespa tombou 2,01%, aos 61.675 pontos. O giro financeiro da sessão incrustada num final de semana prolongado ficou em R$ 5,16 bilhões. Na primeira semana de junho, o Ibovespa recuou 0,44%.

Número mais aguardado da semana, o relatório de emprego nos EUA apontou a criação de 431 mil vagas em maio. Embora tenha sido o maior volume mensal de contratações em mais de 10 anos, o número frustrou a média dos analistas, que esperavam 513 mil novos postos de trabalho. "Os números de emprego de maio revelam a fragilidade da recuperação da economia", disse em relatório o BofA Merrill Lynch, resumindo a reação de Wall Street, onde os principais índices de ações cairam mais de 3%. Em Wall Street, o índice Dow Jones caiu 3,16%, aos 9.931,22 pontos, o Nasdaq recuou 3,64%, para 2.219,17 pontos, e o S & P 500 caiu 3,44%, aos 1.064,88 pontos. Na semana, o Dow Jones caiu 2,03%, o Nasdaq recuou 1,68% e o S & P 500 teve perdas de 2,25%.

Se de um lado a expectativa de recuperação vigorosa da maior economia do mundo sofreu um revés, de outro a esperança de que a Europa estivesse passado o momento mais agudo da crise fiscal se apagou, após declarações desencontradas de membros do novo governo da Hungria, sugerindo que o país pode seguir a Grécia, que beirou o colapso devido à crise fiscal.

A cereja do bolo foram comentários de que o banco francês Société Générale poderia apresentar novas perdas pesadas com derivativos.

"O mercado até esboçou alguma recuperação, mas o noticiário corporativo e econômico não deu trégua", disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.

Na bolsa paulista, parte do fluxo de recursos que nas últimas semanas tinha migrado de Vale para Petrobras mudou de mão, com prejuízo da mineradora, cuja ação ordinária caiu 4,72%, a R$ 47,59. MMX, a pior do Ibovespa, tombou 5,21%, a R$ 10,37.

As siderúrgicas tiveram um dia igualmente desolador, após uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo afirmar que o governo estuda zerar a alíquota de importação para conter a escalada dos preços do aço. CSN refletiu a reação do mercado, encolhendo 4,9%, para R$ 26,15.

O desempenho do índice só não foi pior devido à Petrobras, cuja ação preferencial subiu 0,52%, para R$ 29,25, mesmo num dia em que a cotação do petróleo desabou 4,92%.

Segundo operadores, a entrada da empresa em período de silêncio, devido à oferta pública de ações aliviou o mercado, desfez temores de adiamento da operação por causa da volatilidade do mercado. A companhia também informou pela manhã que descobriu óleo leve no pré-sal da Bacia de Campos.

Mas a melhor do índice foi Eletropaulo, com um salto de 5,6%, negociada a R$ 32,60. A elétrica paulista avisou na noite de quarta-feira que terá um efeito contábil positivo de R$ 167 milhões no lucro do segundo trimestre devido à incorporação da subsidiária Eletropaulo Telecomunicações.

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