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Percepção de baixo crescimento econômico no mundo gera desconforto entre investidores

A Bovespa começou esta terça-feira em queda, depois de já ter fechado em baixa ontem. Por volta de 11h34, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, caía 2,06%, cotado em 65.740 pontos.

Hoje, o que contribui para o pessimismo dos mercados globais – as bolsas europeias também recuam, depois de as asiáticas terem ficado no negativo – é o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro , que foi de queda de 0,3% no último trimestre do ano passado.

O número, que sai um dia após a China anunciar uma redução em sua meta de crescimento para este ano, aumenta os preocupações com o crescimento global.

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“Além da revisão da meta de crescimento na China, as vendas no varejo no Reino Unido e a recessão no quarto trimestre do PIB Europeu foram gatilhos para uma piora de sentimento de mercado,” afirma em comentário matinal Roberto Padovani, economista chefe da Votorantim Corretora.

Nesta terça-feira, a agência de estatísticas europeia divulgou que a produção nos 17 países que compõem a zona do euro encolheu 0,3% de outubro a dezembro em relação ao terceiro trimestre, resultado de uma redução nos gastos das famílias, nas exportações e na manufatura.

Enquanto isso, no Brasil o PIB avançou 2,7% em 2011 e o País se tornou a sexta maior economia do mundo. O crescimento, apesar de vir conforme o esperado, não é suficiente para animar os investidores.

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Europa

Mesmo com injeções de euros no sistema financeiro europeu pelo Banco Central da região, que vêm acontecendo desde o final do ano passado, o primeiro trimestre também deverá ser de encolhimento da economia europeia, na opinião de Pedro Paulo Silveira, economista chefe da TOV Corretora.

“O primeiro trimestre desse ano também será de contração, já que todos os agentes domésticos estão contraindo seus gastos (investimentos em queda, governos cortando gastos e famílias poupando em meio ao desemprego),” diz Silveira. Na opinião dele, a estratégia do bloco europeu “vai se mostrando limitada” para conter os efeitos da recessão e conter a queda do PIB europeu.”

Realização 

Depois de uma forte alta da bolsa brasileira nos dois primeiros meses do ano, começa a surgir um desconforto entre os investidores, comentam os especialistas, e pode ter início um movimento de realização de lucros.

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“Nossa leitura é que o fato de os investidores estarem presos ao fluxo de informações de curto prazo e reagindo a questões genéricas reflete o desconforto quanto ao fôlego do rally dos mercados. O alivio representado pela precificação de um cenário de não ruptura pode estar sendo substituído por uma nova agenda, que inclui a percepção de baixo crescimento global,” diz Padovani.

Além disso, o economista acrescenta que há também temores relacionados à adesão dos investidores à troca de títulos gregos.

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