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Ibovespa recuou 1,26% nesta sexta-feira, seguindo baixas nos EUA e Europa. Finanças do primeiro mundo ainda preocupam investidores

O Ibovespa caiu nesta sexta-feira, seguindo as bolsas internacionais. No dia, perdeu 1,29%, para 52.447 pontos e, na semana, terminou com saldo negativo de -1,91%. Na semana passada, quando os investidores voltaram a se assustar com a situação econômica dos Estados Unidos, os mercados de ações passaram a operar no "modo volatilidade". O Ibovespa chegou a despencar 8,08% num dia, mas encerrou a semana em alta de 0,98% .

As altas de recuperação da semana passada acabaram sendo devolvidas nessa semana. A perda do Ibovespa, no entanto, ficou menor que a dos índices nos Estados Unidos. Dow Jones caiu 4%, S&P500 recuou 4,7% e Nasdaq teve perda de 6,6%. Nesta sexta-feira, essas bolsas fecharam com quedas de 1,57% (Dow), 1,50% (S&P) e 1,62% (Nasdaq).

O dia também foi de baixa para as bolsas da Europa. Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 1,01%, para 5.041 pontos; em Paris, o CAC 40 perdeu 1,92%, para 3.017 pontos; e em Frankfurt, o DAX recuou 2,19%, para 5.480 pontos.

Mais uma vez, os bancos lideraram as perdas. Deutsche Bank caiu 5,2%, RBS perdeu 4,4%, Lloyds fechou em baixa de 4,8% e Unicredit declinou 5,8%. Esses movimentos de vendas já vêm sendo sentidos nas últimas semanas nos mercados externos. Os investidores estão preocupados com uma contaminação das situações fiscais soberanas nas contas das principais instituições financeiras globais. De olho em resultados futuros, bancos globais anunciaram nas últimas semanas cortes de nada menos que 50 mil empregos .

As perdas dessa semana começaram nesta quinta-feira. Números ruins do mercado de trabalho nos Estados Unidos, relatório do Morgan Stanley falando em grandes chances de recessão nos EUA e na Europa, além de notícias sobre aperto do cerco aos bancos dos Estados Unidos pelos BCs daquele país puxaram as vendas. O cardápio, somado à recuperação dos últimos dias, torna o mercado propenso a fortes quedas. Vale lembrar que, na quarta-feira, o Ibovespa atingiu o maior nível desde 3 de agosto, ou seja, havia recuperado toda a perda da semana de pânico e subido um pouco mais.

As dívidas dos países europeus e o temor de recessão continuam em análise, afirma o economista José Francisco Lima Gonçalves, do Banco Fator, em relatório desta sexta-feira. "Mais um dia de nervosismo à vista," diz .

Invstidores observam telas de cotações em Huaibei, na China, nesta sexta; mercados asiáticos fecharam em baixa
Getty Images
Invstidores observam telas de cotações em Huaibei, na China, nesta sexta; mercados asiáticos fecharam em baixa
Na Ásia, as bolsas desabaram nesta sexta-feira, sendo que a situação foi pior na Coreia do Sul, onde o índice Kospi teve forte prejuízo de 6,22%.

A abordagem política "fragmentada" da Europa durante a crise continua sendo apontada como agravante para a situação dos mercados. Em entrevista à CNN Money, Marc Chandler, chefe global de estratégia de câmbio da Brown Brothers Harriman, afirma que os mercados globais seguem abalados nesta sexta-feira por uma situação que está se transformando em uma crise bancária e econômica, enquanto as atitudes dos políticos para conter o problemas têm sido fragmentadas.

No contexto de muito nervosismo, o ouro continua batendo recordes . A cotação do metal em Hong Kong durante a manhã era de 1.837,50 dólares a onça. O ouro superou pela primeira vez a barreira de US$ 1.800 em 11 de agosto.

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(Com agências)

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