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Sinais de desaceleração econômica em vários países inibem investidores, colocando bolsas e commodities em queda

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Os indicadores econômicos globais anunciados entre a noite de ontem e a manhã de hoje fazem a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abrir a sessão em baixa. Os sinais de desaceleração econômica por todos os cantos do planeta inibem os investidores, colocando as bolsas e as commodities em queda. No Brasil, o dia pode ser marcado pela realização de lucros, já que a Bolsa subiu em cinco das últimas seis sessões. Às 10h26 (horário de Brasília), o índice Bovespa (Ibovespa) caía 0,21%, aos 64.482 pontos.

A pesquisa ADP sobre postos de trabalho criados em empresas dos EUA em maio azedou de vez o humor dos mercados internacionais, que já estava ruim desde a virada do dia, após divulgações de dados de atividade mais fracos em várias partes do globo. No mês passado, o setor privado norte-americano criou 38 mil vagas, bem abaixo da previsão de 190 mil.

O número decepcionante vindo dos EUA somou-se à desaceleração do setor industrial na China em maio, de acordo com dois índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês). O PMI oficial, divulgado pela Federação de Logística e Compra da China (CFLP, na sigla em inglês) e pelo Escritório Nacional de Estatísticas caiu pelo segundo mês consecutivo, para 52,0 em maio, ante 52,9 em abril. Já o PMI medido pelo HSBC recuou para uma mínima de dez meses, de 51,8 em abril para 51,6 em maio.

Na Europa, a atividade manufatureira teve o maior recuo em dois anos e meio entre os países da zona do euro, ao mesmo tempo em que cedeu para o menor nível em 20 meses no Reino Unido. Na Austrália, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre registrou a maior contração dos últimos 20 anos (queda de 1,2%), por causa das enchentes que atingiram o país no início do ano.

Além disso, a confiança quanto a uma solução para a crise grega voltou a ceder lugar às incertezas, após o jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung afirmar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não deve pagar sua parte da nova parcela de ajuda à Grécia, delegando a fatia apenas à União Europeia. Rumores dão conta de que o FMI estaria planejamento um novo pacote de resgate ao país europeu, de 60 bilhões a 70 bilhões de euros.

No entanto, o diretor da Ativa Corretora, Álvaro Bandeira, acredita que nenhum novo sinal de alerta foi emitido nos mercados. "O que há, na realidade, é uma desaceleração da atividade em nível global, que incomoda", avalia. Ele acrescenta que o cenário macroeconômico segue indefinido, mas "sem motivo para que os mercados mergulhem em queda".

Bandeira salienta que, especificamente no caso do Brasil, a perda de tração da economia é bem-vinda, pois atua como um fator de redução das expectativas para a inflação. "E a mesma leitura pode ser feita para a China", completa. Para ele, as preocupações sobre o ambiente brasileiro de inflação e juros se reduzem, abrindo cada vez mais as portas para o ingresso de capital externo na Bovespa. "O investidor estrangeiro deve continuar colocando dinheiro nas ações de forma modesta, porém gradual", diz.

Hoje, a Petrobras também informou, em comunicado enviado ao mercado, que recebeu ontem da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro (SRTE-RJ) aviso de interdição da plataforma P-65. A empresa diz ainda que, desde o dia 23, já estava sendo realizada uma parada programada para a manutenção da plataforma, que apenas auxilia no tratamento do óleo de outras unidades e não constitui uma unidade de produção.

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