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Relatório sobre mercado de trabalho americano abaixo das expectativas derruba bolsas internacionais

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A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o dia em baixa, influenciada pela fraca recuperação da economia dos Estados Unidos. Os dados robustos sobre a economia brasileira tendem a ser deixados em segundo plano ao longo do dia, já que o relatório sobre o mercado de trabalho dos EUA (payroll) ficou abaixo das expectativas e estragou a performance dos negócios nas bolsas internacionais. Às 10h14 (horário de Brasília), o índice Bovespa (Ibovespa) caía 0,44%, aos 63.936 pontos.

Os EUA anunciaram hoje a criação de 54 mil vagas de emprego no mês passado, número bem abaixo da previsão de abertura de 160 mil postos de trabalho. Esse dado já havia sido revisado em baixa após uma série de indicadores econômicos mais fracos sobre a economia norte-americana anunciados nesta semana. Além disso, a taxa de desemprego subiu para 9,1%, contrariando a previsão de queda para 8,9%. Imediatamente após a divulgação dos números, os índices futuros das Bolsas de Nova York ampliaram as perdas já exibidas desde o início do dia.

O gestor de renda variável da Máxima Asset Management, Felipe Casotti, explica que, aos poucos, os mercados globais deslocam o foco da Europa para os EUA, em meio aos sinais de fraqueza da maior economia do mundo. "Esperava-se uma recuperação norte-americana mais sólida, mas os dados recentes mostram que a atividade por lá está cambaleando", disse.

Para Casotti, a Bovespa será guiada pelo mau humor dos mercados externos nesta sexta-feira, lembrando que ainda está previsto para hoje a divulgação do índice ISM do setor de serviços nos EUA, às 11 horas (horário de Brasília). "É mais um dado importante, que pode azedar de vez ou até atenuar a performance dos mercados", avalia. Ele acrescentou que, ainda assim, a Bolsa pode apresentar uma queda menor em relação aos pares internacionais.

Já no Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 1,3% nos três primeiros meses deste ano, na comparação com o quarto trimestre do ano passado, e teve expansão de 4,2% na comparação com igual período de 2010. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ficaram em linha com a mediana projetada após coleta de estimativas do mercado pela Agência Estado, tanto na margem quanto na comparação interanual.

Em valores correntes, a economia brasileira somou R$ 939,6 bilhões entre janeiro e março de 2011. Além disso, o IBGE revisou para cima o crescimento do PIB no último trimestre de 2010, para uma alta de 0,8%, de alta de 0,7% originalmente, em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Mas Casotti comenta que os números do PIB não devem mover os negócios na Bolsa, uma vez que são olhados pelo retrovisor. "É esperada uma desaceleração da economia já neste trimestre", afirma, acrescentando que essa percepção é mais um ponto positivo para a redução das pressões inflacionárias - principal foco de tensão no País. "O mercado está mais tranquilo com o cenário de preços aqui, em meio a uma avaliação de que o Banco Central vem tomando as atitudes corretas, o que pode, em breve, provocar um retorno do capital externo, de modo mais forte, na Bolsa", avaliou.

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