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Papéis do setor bancário tiveram desempenho particularmente fraco, após a Moody's colocar em revião rating de franceses

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Os principais índices do mercado de ações da Europa fecharam em queda, pressionados pela falta de um acordo entre autoridades europeias sobre o formato do novo pacote de ajuda financeira à Grécia. Os papéis do setor bancário tiveram um desempenho particularmente fraco depois que a Moody's decidiu colocar em revisão para potencial rebaixamento o rating (classificação de risco) do BNP Paribas, do Crédit Agricole e do Société Générale, sob a justificativa de que essas instituições possuem exposição à dívida soberana grega.

A divulgação de indicadores fracos nos EUA também contribuiu para o declínio das bolsas europeias. A produção industrial norte-americana cresceu 0,1% em maio, ante expectativa de expansão de 0,2%, enquanto o índice de atividade industrial do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York recuou para -7,79 em junho, de 11,88 em maio, contrariando a previsão de analistas, que esperavam leitura de 12,00.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 2,87 pontos, ou 1,06%, para 267,95 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 recuou 60,58 pontos, ou 1,04%, para 5.742,55 pontos. Em Paris, o CAC 40 teve queda de 57,73 pontos, ou 1,49%, para 3.806,85 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX fechou em baixa de 89,71 pontos, ou 1,25%, a 7.115,08 pontos.

Em Milão, o índice FTSE MIB caiu 440,39 pontos, ou 2,16%, para 19.918,52 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, perdeu 199,50 pontos, ou 1,97%, para 9.933,10 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve declínio de 146,14 pontos, ou 1,99%, para 7.191,87 pontos.

Em Atenas, o ASE recuou 23,88 pontos, ou 1,88%, para 1.243,05 pontos. As preocupações com a Grécia cresceram depois de os ministros de Finanças da zona do euro não terem conseguido chegar ontem a um acordo sobre os termos de um novo pacote de auxílio ao país. "Os franceses acham que não devemos ter um evento de crédito, enquanto a proposta alemã prevê estender em sete anos o prazo de vencimento dos bônus gregos", disse Duarte Caldas, analista do IG Markets em Lisboa.

Segundo o UniCredit, os políticos europeus talvez tenham de escolher entre duas opções negativas: "abandonar os princípios de estabilidade que são a fundação (da união monetária europeia) ou correr o risco de não pagamento (default) e de um país sair da zona do euro. Mais dinheiro para a Grécia ajudaria no curto prazo, mas não é uma solução para a crise".

Para Michael Derks, estrategista-chefe da FXPro, "a Grécia está quebrada e apenas acumulará mais dívidas", seja qual for a proposta adotada. "A reestruturação, envolvendo perdas significativas (para os credores) e o prolongamento dos prazos, certamente não pode ser adiada. Sim, isso será um não pagamento (default), mas francamente a Grécia não é capaz de pagar suas dívidas, então a declaração de default será uma mera formalidade."

A preocupação com a situação da Grécia se espalhou para os mercados financeiros de outros países. Em Portugal, as ações do Banco Comercial Português perderam 6,1%, enquanto o Banco BPI recuou 4,5%. "O BPI não possui uma unidade francesa ou posições em ações gregas, mas está amplamente exposto à dívida da Grécia. O BCP possui um banco grego", afirmou Caldas, do IG Markets.

Na Itália, o Intesa Sanpaolo caiu quase 5%, enquanto na França fecharam em baixa BNP Paribas (-2,5%), Société Générale (-2,6%) e Crédit Agricole (-2,5%). Em Londres, a Glencore International recuou 5,4%, depois de afirmar que "não está estudando uma proposta" pela Eurasian Natural Resources, cujas ações fecharam em baixa de 2,3%.

Na contramão do mercado, a Danone subiu 0,9% depois de ter a recomendação de suas ações elevada para "comprar", de "neutra". As informações são da Dow Jones.

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