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Bernanke afirmou que a política monetária acomodatícia do Fed ainda é necessária; problemas da dívida grega também pesaram

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As bolsas da Europa fecharam o dia em queda diante da avaliação decepcionante sobre a economia dos Estados Unidos feita ontem pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), Ben Bernanke. O discurso de Bernanke gerou receio sobre um potencial desaquecimento da economia mundial e pesou sobre os papéis ligados ao segmento de matérias-primas.

Ontem, Bernanke afirmou que a política monetária acomodatícia do Fed ainda é necessária e reiterou que as taxas de juro de curto prazo deverão permanecer baixas por um período prolongado. Embora espere uma aceleração no crescimento da economia dos EUA no segundo semestre, ele reconheceu que as condições ainda são preocupantes e que a recuperação é lenta e frustrante, principalmente para os desempregados.

Preocupações com a dívida da Grécia também pesaram sobre os mercados financeiros europeus hoje e, na Bolsa de Atenas, o índice ASE recuou 2,94%, para 1.258,97 pontos. O declínio ocorreu depois de o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, ter enviado uma carta para os membros da zona do euro insistindo que os detentores privados de títulos gregos deveriam aceitar os termos de um swap (troca) que estenderia o vencimento dos bônus da Grécia em sete anos, suportando dessa forma parte do ônus de um novo programa de auxílio à Grécia.

"Se tivermos uma contribuição substancial dos credores privados, haverá problemas no setor bancário. É o próximo passo para um potencial default (falência) da Grécia", disse Christian Stocker, estrategista de ações do UniCredit Research. "Acho que os investidores estão percebendo que não há outra opção disponível e isso deve pressionar os mercados", acrescentou.

Stocker disse ainda que os comentários de Bernanke "foram negativos para o desenvolvimento econômico da Europa e também em termos globais, atingindo com mais força a periferia, que sofre com medidas de austeridade fiscal e problemas com dívidas".

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 1,05%, para 269,01 pontos. Na Bolsa de Londres, o FTSE-100 recuou 0,95%, para 5.808,89 pontos. Em Paris, o CAC 40 teve queda de 0,88%, para 3.837,98 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o Xetra DAX teve declínio de 0,61%, para 7.060,23 pontos. Em Milão, o índice FTSE MIB caiu 1,44%, para 20.277,28 pontos. O IBEX 35, da Bolsa de Madri, perdeu 0,84%, para 10.082,50 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 1,71%, para 7.387,84 pontos.

Entre os destaques da sessão, as ações da Antofagasta recuaram 5% em Londres depois de a mineradora afirmar que o aumento de produção da mina Esperanza, no Chile, está demorando mais do que o previsto. Ainda no setor, fecharam em queda Fresnillo (-2,4%), BHP Billiton (-2,0%) e Rio Tinto (-1,2%).

Em Helsinque, os papéis da Nokia caíram 4,2%, um dia depois de a Fitch Ratings rebaixar o rating (nota) de crédito da companhia em dois graus e em meio a rumores de que a Samsung estaria preparando uma proposta pela empresa.

Os bancos também tiveram uma sessão conturbada por causa de preocupações crescentes com a exposição dessas instituições à dívida da Grécia. Deutsche Bank e Société Générale perderam cerca de 1,4% cada. As informações são da Dow Jones.

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