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Ibovespa encerrou com baixa de 3,52%. Investidores voltaram a se estressar com mais projeções de recessão

As bolsas no mundo voltaram a ter um dia tenso, após alguns pregões de recuperação. As perdas nas principais praças mundiais ficaram entre -3% e -6%. O Ibovespa encerrou os negócios em baixa de 3,52%, após passar todo o dia com perdas superiores a 4%. Encerrou o dia aos 53.134 pontos.

Operadores nervosos no pregão de Nova York
Associated Press
Operadores nervosos no pregão de Nova York
Em Nova York, Dow Jones fechou em queda de 3,67% e Nasdaq recuou 5,19%. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 4,77%. A Bolsa de Londres caiu 4,49%, Paris perdeu 5,48% e Alemanha fechou em baixa de 5,82%. Em Milão, a queda foi de 6,15%, a Bolsa de Madri recuou 4,70% e Lisboa perdeu 4,12%. O ASE, da Bolsa de Atenas, teve recuo de 3,38%.

As ações de bancos tiveram alguns dos declínios mais acentuados do dia. Em Londres, o Barclays perdeu 12%. O Société Générale recuou 12% em Paris e o Dexia caiu 14% em Bruxelas, mesmo depois da introdução de restrições às vendas a descoberto nessas duas praças.

São várias as explicações para a volta do nervosismo ao mercado nesta quinta-feira. Números ruins do mercado de trabalho nos Estados Unidos, relatório do Morgan Stanley falando em grandes chances de recessão nos EUA e na Europa, além de notícias sobre aperto do cerco aos bancos dos Estados Unidos pelos BCs daquele país. Além disso, ontem a Fitch rebaixou a classificação de risco do estado de Nova Jersey (EUA). O cardápio, somado à recuperação dos últimos dias, torna o mercado propenso a fortes quedas. Vale lembrar que, ontem, o Ibovespa atingiu o maior nível desde 3 de agosto, ou seja, havia recuperado toda a perda da semana de pânico e subido um pouco mais.

O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com prazo de dez anos, que são referência nos mercados, atingiu nesta quinta-feira recorde de baixa. Os investidores, assustados com novas notícias ruins sobre a economia mundial, correram novamente para a segurança da dívida dos EUA, o que provoca queda no retorno dos bônus. A rentabilidade caiu para 1,99%, de 2,16% ontem. O recorde anterior foi de 2,03%, diz a CNN Money.

Nos EUA, o mercado de trabalho e a inflação deram sinais de piora. O número de pedidos de auxílio-desemprego subiu 9 mil, para 408 mil, na semana passada, superando bastante a expectativa de alta de 5 mil pedidos, para 400 mil. Já o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,5% em julho, superando previsão de alta de 0,3%. O núcleo, no entanto, subiu 0,2%, como esperado.

O Morgan Stanley informou que revisou suas previsões para o crescimento dos EUA e da zona do euro e disse que os novos cálculos indicam que as duas regiões estão se aproximando perigosamente de uma recessão. "As principais razões para a redução nas projeções, além dos indicadores econômicos decepcionantes, são recentes erros políticos nos EUA e na Europa somados à perspectiva de mais aperto fiscal em 2012", diz.

A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro foi cortada para 1,7% neste ano e 0,5% em 2012. Anteriormente, as projeções do banco eram de expansão de 2,0% e 1,2%, respectivamente.

Além disso, as autoridades reguladoras federais e estaduais nos Estados Unidos estariam intensificando seu monitoramento das unidades americanas de grandes bancos da Europa diante do temor de que a crise da dívida europeia possa respingar no sistema bancário dos EUA. A informação foi passada por pessoas a par da situação ao Wall Street Journal.

O Fed Nova York, que supervisiona as operações americanas de muitos bancos europeus, teria realizado recentemente várias reuniões com credores para avaliar suas vulnerabilidades à escalada das pressões financeiras. O Fed, segundo as fontes ouvidas pelo WSJ, está pedindo mais informações dos bancos sobre o acesso aos recursos necessários para as operações do dia a dia nos Estados Unidos.

As autoridades reguladoras buscam evitar uma repetição da crise de 2008, quando o sistema financeiro global começou a emperrar. Agora, conforme a reportagem do WSJ, a preocupação é de que a crise da dívida na zona do euro possa afetar a capacidade dos bancos europeus de financiar empréstimos e de atender a outras obrigações financeiras nos EUA.

O analistas da Lerosa investimentos afirmam que a impressão de que há um “descompasso entre a velocidade da crise bancária européia e a tentativa de solução por parte dos políticos europeus” está piorando o humor dos investidores. Para eles, as revisões de crescimento nos Estados Unidos e o aumento do controle das subsidiárias norte-americanas na Europa por parte do FED indicam que a situação econômica mundial volta a ter contornos de indefinição e aumenta o grau de aversão pelo risco.

Com a busca dos investidores por segurança, o ouro está cotado em sua máxima histórica e os retornos dos títulos norte-americanos estão em baixa.

Para completar o quadro adverso, a Fitch Ratings rebaixou a classificação de risco dos bônus do Estado de Nova Jersey (EUA) de AA para AA- , apesar de ter contrariado a Standars and Poor's e mantido o rating dos Estados Unidos, como país. A perspectiva do rating também foi reduzida de estável para negativa.

Também não agradou o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, ter dito que rejeita a ampliação do fundo de resgate da zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês).

(com Agência Estado e Valor Online)

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