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Serão negociadas 180 mil unidades de reduções de emissões, em três lotes, que podem ser usadas em programas de sustentabilidade

A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) realiza amanhã o primeiro leilão voluntário de crédito de carbono. Serão leiloadas 180 mil unidades de reduções de emissões, divididas em três lotes, por preços mínimos entre R$ 10,00 e R$ 12,00 cada, dependendo do período de geração dos créditos. O leilão será realizado no Sistema de Negociação de Créditos de Carbono da Bolsa, a partir das 13h.

Já foram realizados na BM&F Bovespa dois outros leilões de crédito de carbono, não voluntários, pela Prefeitura de São Paulo. Estes foram destinados a companhias que têm necessidades legais de se adequar ao protocolo de Kyoto. Segundo Divaldo Rezende, diretor-executivo da Cantor CO2E, subsidiária brasileira do grupo financeiro norte-americano Cantor Fitzgerald,o leilão de crédito voluntário é destinado a empresas que queiram usá-los em seus programas de sustentabilidade, “para reduzir as emissões internas”. Mas deve atrair também compradores de crédito para revenda no varejo, já que o preço tende a ser o dobro do valor no atacado, de acordo com Rezende. “Esse participante pode ser um ‘trader’ ou um investidor.”

As reduções de emissões que irão a leilão foram geradas a partir de nove projetos gerenciados pela Carbono Social Serviços Ambientais, da qual a Cantor CO2E é acionista. Segundo a Carbono Social, atualmente ela trabalha com cerca de 70 projetos, a maioria na área de cerâmica. Os nove selecionados são de empresas cerâmicas de pequeno porte de diversos Estados, que reduzem suas emissões de gases pela substituição de combustível por biomassas renováveis, como bagaço de cana, caroço de açaí, casca de arroz, entre outros processos.

Rezende lembra que já foram feitas diversas operações voluntárias de crédito de carbono, todas no mercado de balcão. Entre os compradores estão empresas como a fabricante de cosméticos Natura e a confecção Osklen. “Elas compraram créditos para projetos de reduções voluntárias, já que não têm obrigação de redução”, diz ele.


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