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Mecanismo já existe no Brasil, com a central de custódia da BM&FBovespa

Os bancos centrais discutem possíveis limites para as operações de venda de ativos a descoberto em meio à crise que toma conta da Europa. O mecanismo foi um dos principais temas do primeiro dia da reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS, da sigla em inglês), realizada na Basileia, na Suíça.

As transações a descoberto, que permitem aos investidores vender e apostar contra papéis que não possuem, podem ampliar a turbulência dos mercados em momentos de estresse. Tanto que essas operações chegaram a ser suspensas durante a crise de hipotecas nos Estados Unidos, que levou ao colapso do banco Lehman Brothers.

No fim de abril, as autoridades da Grécia também decidiram proibir as vendas a descoberto por dois meses, de forma a limitar a desvalorização dos ativos. O país está no centro da crise soberana da zona do euro e, mesmo com o pacote de ajuda de 110 bilhões da União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), investidores não descartam uma reestruturação de sua dívida.

Agora, os bancos centrais analisam quem são os principais atores no mercado de vendas a descoberto e até que ponto pode haver uma limitação dessas transações, segundo fonte que participou do encontro. As autoridades monetárias também avaliam a necessidade de uma contraparte central para operações do mercado, de forma a garantir a liquidação dos negócios.

O mecanismo já existe no Brasil, com a central de custódia da BM&FBovespa. Esse tema já esteve presente em outros encontros do BIS, mas, agora, foi discutido mais especificamente. A reunião na Basileia ocorre em um momento tenso. Também neste domingo, ministro de Finanças se encontraram em Bruxelas para tentar fechar um fundo de estabilidade para a Europa, de forma a conter o alastramento da turbulência que teve início com a Grécia, mas já se espalhou para outros países, principalmente Portugal e Espanha.

Os banqueiros também discutiram sobre o fato de que, se a crise de dívida soberana afetar o crescimento econômico da Europa, o desempenho dos emergentes ficará mais importante no cenário global. No entanto, não chegaram a avaliar se os emergentes também sofrerão o impacto dos problemas europeus. A reunião bimensal do BIS prossegue na segunda-feira.

Ao final, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, dará entrevista coletiva à imprensa, por volta das 7h30 (de Brasília). O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Henrique Meirelles, também está na cidade para o encontro. Terça-feira, ele participa da Conferência de Alto Nível do FMI e do Banco Nacional Suíço sobre o sistema monetário internacional em Zurique, na Suíça.

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