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BCE compra bônus e amplia liquidez a bancos

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou nesta quinta-feira que está comprando bônus governamentais em resposta ao aprofundamento da crise de dívida, oferecendo também uma nova rodada de liquidez aos bancos.

No entanto, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, sugeriu que a taxa básica de juros da zona do euro pode subir ainda mais.

Depois que o BCE manteve o juro básico em 1,5 por cento pela manhã, Trichet disse que o programa de compra de bônus, ativado desde março, ainda está em vigor.

"Eu nunca disse que ele estava inativo", afirmou Trichet, acrescentando que os dados semanais de compra de bônus do BCE mostrariam quais ações foram tomadas pela autoridade monetária. "É um programa ativo e nós somos totalmente transparentes."

Operadores disseram que viram o BCE comprar bônus dos governos de Portugal e da Irlanda no mercado secundário enquanto Trichet falava, mas não da Itália e da Espanha, países também abatidos pela crise de dívida.

O BCE enfrenta pressão para agir após a escalada da crise de dívida nas últimas semanas. A Itália, economia do G7, viu seus custos de financiamento dispararem, algo que alarma as autoridades monetárias, pois a exposição dos bancos à dívida italiana é bem maior que às dívida da Grécia, Irlanda e Portugal -- países já socorridos.

Trichet também disse que os bancos comerciais poderão acessar liquidez ilimitada do BCE até pelo menos o fim do ano, e anunciou uma nova oferta de empréstimos de seis meses aos bancos.

"Dadas as renovadas tensões em alguns mercados financeiros ... (o BCE) decidiu conduzir uma operação suplementar de refinanciamento, com vencimento de aproximadamente seis meses, com parcela total", disse ele.

Enquanto isso, em uma atitude surpreendente após a decisão de juro, a Comissão Europeia disse que considera aumentar o tamanho do fundo de resgate europeu.

Apesar da declaração da Comissão, os novos poderes do fundo para comprar bônus no mercado secundário ou dar crédito aos Estados não serão operáveis até que sejam aprovados pelos Parlamentos nacionais, algo que só deve acontecer a partir de setembro.

Isso deixa o BCE como único meio de defesa no curto prazo contra os ataques do mercado a Itália e Espanha.

JURO PODE SUBIR

Trichet sinalizou que a taxa básica de juros da zona do euro pode continuar a subir, contrastando com o afrouxamento monetário realizado pelos bancos centrais da Suíça e do Japão nesta semana.

"Nós continuaramos a monitorar muito atentamente todos os acontecimentos com respeito aos riscos de alta à estabilidade de preços", declarou Trichet, usando a mesma expressão que o BCE usou após a elevação do juro básico no mês passado.

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