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RIO - O diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, disse que a instituição poderá usar, a qualquer momento, o swap cambial, se houver a percepção de que há necessidade para isso

. "O swap cambial é um mecanismo que o Banco Central pode usar a qualquer momento. As condições legais para ele usar existem, ele pode usar a qualquer momento. Tem que haver uma combinação entre as pré-condições legais, as pré-condições operacionais e as pré-condições econômico-financeiras. As pré-condições legais existem, as operacionais também, porque a gente já fez. Se a gente entender que o momento econômico-financeiro é o indicado, a gente faz, senão não faz", disse. Segundo o diretor, a opção para atuar no câmbio através da elevação da alíquota do imposto sobre operações financeiras (IOF) foi uma "decisão de governo". Mendes afirmou que a decisão partiu do núcleo mais voltado à área tributária, entre Ministério da Fazenda e Receita Federal. Já o swap seria uma decisão mais no núcleo do Banco Central, que acompanha de perto o mercado. "Não há uma escolha entre diferentes alternativas. (...) Se entender que o mercado está em uma situação em que o swap é alguma coisa que seria desejável, a gente faria", afirmou. O IOF já foi elevado duas vezes, passando de 2% para 6% para operações em renda fixa com estrangeiros. O governo também aumentou o IOF de 0,38% para 6% sobre a margem de garantia para investimentos no mercado futuro. Após participar do Congresso Internacional de Governança Corporativa, promovido pelo IBGC, no Rio de Janeiro, Mendes afirmou ainda que o Banco Central poderá estudar eventuais sugestões da BM&FBovespa de retirada de algumas operações financeiras específicas do pacote afetado pela elevação do imposto. Ontem, o diretor-presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, disse que a instituição está realizando um estudo para sugerir que o BC exclua algumas operações do aumento de imposto, que não tenham impacto específico sobre o câmbio. "A gente tem um canal de diálogo muito bom com a Bolsa e na hora em que a Bolsa apontar alguma sugestão, nós vamos estudar", afirmou Mendes. O diretor minimizou ainda o temor no mercado financeiro de que a elevação do IOF chegue à renda variável. "O que eu tenho ouvido do ministro é que não, renda variável não tem (intenção de elevar o IOF)", disse. (Juliana Ennes | Valor)

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