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Apesar de ressalvas sobre dificuldade em dizer se negócio foi caro, especialistas vêem vantagens. Ações seguem pressionadas

A compra do Banco Postal é positiva para o Banco do Brasil (BB), mas o negócio deve manter a pressão sobre as ações do BB por algum tempo, segundo relatórios de corretoras divulgados nesta quarta-feira.

O Banco do Brasil foi declarado ontem o vencedor da licitação, com um lance de R$ 2,3 bilhões, na 12ª rodada, depois que o Bradesco desistiu de fazer novos lances. O valor total a ser desembolsado pelo Banco do Brasil será de cerca de R$ 3,150 bilhões. Isso porque o edital de licitação estabelece o pagamento de R$ 500 milhões pela rede de mais de 6 mil agências dos Correios (valor fixo) e R$ 350 milhões referentes às transações bancárias (previsão).

O comentário corrente nas avaliações foi a dificuldade em calcular se a compra foi cara, já que nem os Correios, nem o Bradesco, que deteve a operação por dez anos, abrem os números da operação. Dúvidas sobre o preço pago e a pressão desse desembolso sobre os múltiplos financeiros do BB pesaram nas cotações de suas ações ontem e hoje. Nesta quarta-feira, BB ON cai 2,07%, enquanto o Ibovespa recua menos, -1,56%.

“Parece que o mercado ficou desapontado com a vitória, especialmente num momento em que o banco parece estar numa contenção de capital, e surgem incertezas sobre se o negócio valeu à pena, já que o Bradesco esteve numa posição indiscutivelmente melhor para avaliar a parceira”, diz o Deutsche Bank. O Barclays também diz, em relatório, esperar que a notícia siga pressionando as ações do BB por um tempo, já que os participantes do mercado teriam preferido que o BB tivesse comprado um negócio cuja rentabilidade fosse mais clara.

Mas, apesar do efeito negativo que um desembolso de vulto causa sobre as ações e das ressalvas feitas, a avaliação geral é de que o negócio é positivo para o Banco do Brasil. “Acreditamos que o Banco Postal é uma adição de muito valor às capacidades de varejo do BB, deixando-o numa posição mais vantajosa para enfrentar o histórico brasileiro de baixa bancarização”, afirma o Barclays. “Lembramos aos investidores que o preço a ser pago representa 3,5% do valor de mercado do BB e consome menos de 10 pontos base de seu capital”, complementou o Deutsche Bank.

Já a Ativa comenta que, apesar das dificuldades em se calcular se o BB pagou caro neste leilão, o banco afirma que o investimento é rentável e que representa uma antecipação de investimentos em expansão, que seriam feitos de forma orgânica ao longo dos próximos anos. “O fato do BB ter pago um valor ligeiramente acima do lance mais elevado do Bradesco (R$ 2,25 bilhões) também é uma sinalização de que o retorno nesta operação é positivo.”

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