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SÃO PAULO - Passado o processo de capitalização da Petrobras, uma nova instituição resolveu revisar suas estimativas para a empresa

. Desta vez, foi o BB Investimentos que reduziu os preços potenciais das ações em 23%, para R$ 45,80 no caso das ordinárias e para R$ 40,50, no dos papéis preferenciais. Os valores referem-se a junho de 2011. A recomendação para os ativos, entretanto, foi mantida em "compra". Os principais aspectos levados em consideração pelo BB dizem respeito à diluição por conta da capitalização, à aquisição de 5 bilhões de barris de óleo equivalente por um valor acima de sua estimativa e à elevação da taxa de desconto, face à nova estrutura de capital. Em relatório assinado por Nelson Rodrigues de Matos, o BB apontou que, de todos os fatores que estão sendo incluídos na revisão de seu valuation, a capitalização teve o maior impacto no valor potencial para as ações da empresa, tendo em vista que os papéis foram emitidos 49% abaixo de seu preço projetado anterior. Entre os riscos considerados, a instituição assinalou a possível revisão do contrato de cessão onerosa entre a empresa e a União, no que se refere ao preço do petróleo. "Caso a revisão ocorra num pico de preço, a exemplo do ano de 2008, poderá comprometer a rentabilidade futura dos projetos, caso haja queda de preço do petróleo ao longo do prazo de 40 anos", explicou. Além disso, outro risco citado diz respeito ao cronograma de desenvolvimento das áreas. "A fase de exploração terá prazo de quatro anos, prorrogável por dois anos, quando então haveria a eventual declaração de comercialidade, passando a contar o prazo de 40 anos para a produção do bloco. Com a capitalização e a consequente redução da alavancagem, não vemos dificuldades para a companhia acessar os recursos financeiros para tocar todos os seus projetos. No entanto, a cadeia de suprimentos e os recursos humanos podem representar um forte gargalo, inclusive em razão do conteúdo mínimo local exigido. Nesta hipótese, a empresa deverá readequar os prazos dos seus atuais projetos para comportar o desenvolvimento das áreas da cessão onerosa", apontou o BB. A instituição ainda assinalou que o preço médio do barril da cessão onerosa, calculado em US$ 8,51 por barril de óleo equivalente, foi elevado, dado que a instituição considerava um valor, sem a inclusão da participação especial, de US$ 5,32. O BB estima que, em 2010, a Petrobras terá lucro líquido de R$ 31,66 bilhões, com receita operacional líquida de R$ 206,08 bilhões e com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 68,1 bilhões. Para 2011, o lucro estimado para a estatal corresponde a R$ 32,36 bilhões, com receita de R$ 206,12 bilhões e Ebitda de R$ 70,4 bilhões. Além disso, o banco projeta que, com a capitalização, a alavancagem da Petrobras - medida pelo índice dívida líquida sobre a dívida líquida acrescida do patrimônio líquido - deverá cair de 34,4%, em junho deste ano, para 17,2%, ao fim de 2010. (Beatriz Cutait | Valor)

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