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Carteira de crédito do banco estatal atinge R$ 305 bilhões; financiamento para compra de veículos sobe 200%

O Banco do Brasil vem reforçando seu crescimento com base nas operações de crédito. Ivan Monteiro, vice-presidente da instituição, diz que um dos destaques do trimestre é a atuação no crédito. A carteira de crédito total chegou a março em R$ 305,6 bilhões, com um aumento de 26,3% na comparação com os 12 meses anteriores. Esses dados, segundo o BB, o mantém na liderança em crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN), com 19,8% de participação. Das receitas financeiras do banco no trimestre, de R$ 18,6 bilhões, R$ 12,5 bilhões vieram das operações de crédito. A margem financeira no trimestre foi de 9,4%, 2,4 pontos percentuais acima do primeiro trimestre de 2009.

O crédito para pessoas físicas alcançou R$ 95,1 bilhões, com aumento de 55,5% sobre o primeiro trimestre do ano passado. Dentro desse grupo, um dos destaques foi a expansão de 200% no financiamento de veículos, para um total de R$ 21 bilhões. Paulo Caffarelli, vice-presidente do banco, lembra que esse desempenho só foi possível por conta da aquisição, no ano passado, do controle do Banco Votorantim.

“Passamos de terceiro para segundo lugar no mercado de crédito para pessoas físicas, com o impulso do crédito para veículos do Banco Votorantim. A compra nos proporcionou um aumento de 50% na base de clientes”, afirma Caffarelli. “Com ele, associamos nossa capacidade de ‘funding’ com o potencial de originação do Votorantim”, diz, lembrando que a instituição adquirida tem atuação forte junto às revendas de automóveis.

Para as empresas, a carteira de crédito do BB chegou a R$ 128 bilhões no final do primeiro trimestre, com uma alta de 25,8% na comparação anualizada. Para micro e pequenas empresas, o saldo dos empréstimos fechou os três meses em R$ 45 bilhões, um aumento de quase 21% sobre o mesmo período do ano passado.

Na área imobiliária, o saldo da carteira do banco no trimestre foi de R$ 1,9 bilhão, com um salto de 103,9% em 12 meses. Toledo lembra que a atuação do BB nessa área é recente, desde 2008. “O crédito imobiliário se divide um duas esferas: crédito à produção e à pessoa física. O que fizemos foi criar em São Paulo duas agências especializadas no financiamento às grandes construtoras”, afirma.

De acordo com o Toledo, o banco está ampliando sua atuação junto às construtoras. “No futuro, esse crédito se transforma em financiamento às pessoas físicas”, diz. “Um crédito para a construtora no futuro vira 100 ou 200 contratos para os compradores”, complementa Caffarelli.

Segundo Caffarelli, as perspectivas no financiamento imobiliário são promissoras. O País, diz, tem um déficit habitacional de cerca de 8 milhões de moradias e hoje as regras do setor reduzem as taxas de inadimplência. O executivo lembra que no Brasil o crédito imobiliário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é de cerca de 3%, enquanto no Chile chega a 17%. “Imagine esse mercado se em dez anos alcançarmos 10% do PIB.”

Apesar do aumento na concessão de crédito, o BB vem conseguindo reduzir a inadimplência. Nas pessoas físicas, o percentual de atrasos superiores a 90 dias vem declinando dos 5,9% em março de 2009 para 4,4% neste ano. No crédito a empresas, também na inadimplência superior a 90 dias, a taxa moveu-se no sentido oposto, passando de 2,1% para 2,6% em março último.

Balanço

O Banco do Brasil divulgou hoje o seu balanço do primeiro trimestre deste ano. O banco obteve um lucro líquido de R$ 2,35 bilhões, com crescimento de mais de 41% sobre o mesmo período do ano passado. A rentabilidade anualizada sobre o patrimônio líquido de 28%, diante dos 23,8% atingidos nos três primeiros meses de 2009.

O BB encerrou o primeiro trimestre com ativos totais de R$ 724,9 bilhões, triplicando de tamanho em relação a 2003, quando tinha R$ 230 bilhões em ativos. “O crescimento anualizado nesse período foi superior a 20%”, afirma Ivan Monteiro.

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