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Eventual rebaixamento da nota de risco de mais instituições financeiras na região dificultaria a captação de recursos no mercado

A redução da classificação de algumas das principais economias europeias amplia o temor de que o continente possa ver uma sequência de quebra de bancos, um cenário que economistas e políticos alertam que pode aprofundar ainda mais a crise e alimentar um colapso nas contas dos governos. Se não bastasse, a perda do triplo A pela França e Áustria é mais um golpe contra os esforços europeus de criar um fundo de resgate para socorrer países em dificuldade.

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Este ano, os bancos europeus precisam captar 700 bilhões de euros para honrar compromissos e atender às novas exigências de capital. Só no primeiro trimestre, a necessidade é de 200 bilhões de euros.

Mas, altamente expostos em economias como a da França, que acaba de ser rebaixada, os bancos podem ser as próximas vítimas, dificultando ainda mais a obtenção de créditos, exigindo que vendam ativos e que façam demissões. Também devem cortar empréstimos, aprofundando a crise na economia real.

Em todas as economias que sofreram rebaixamento nos últimos meses, como Espanha, Portugal e Itália, os bancos desses países acabaram perdendo semanas depois sua classificação, justamente por estarem exposto às dívidas dos países rebaixados.

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No caso francês, os bancos locais são os maiores detentores da dívida soberana francesa e são os primeiros que poderiam sofrer as consequências do rebaixamento. O BNP Paribas tem uma exposição total de 14,3 bilhões de euros. O Crédit Agricole é o mais vulnerável, com exposição de 19,6 bilhões de euros, contra 15,6 bilhões de euros do Societé Générale.

Os três bancos insistem que não precisam de ajuda externa de capital para atender às exigências em 2012 e a situação só não é mais grave porque esses bancos já têm uma classificação inferior ao do Estado francês.

Para 2012, uma série de bancos europeus já planejam demissões de milhares de pessoas. Mas ontem os franceses insistiam que o rebaixamento já foi "absorvido" nos últimos dias pelo mercado e que o impacto seria mínimo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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