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Paris - Os bancos têm de financiar seus próprios seguros para fazer frente a riscos sistêmicos futuros porque os cidadãos não estariam dispostos a deixar o dinheiro público salvar o sistema financeiro mais uma vez, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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No caso de uma nova crise financeira, "a reação seria extremamente violenta", com um recuo de países ou blocos econômicos, advertiu o diretor-gerente do FMI, o francês Dominique Strauss-Kahn, em uma conferência organizada pela revista inglesa "The Economist" em Paris.

"Neste assunto, está em jogo não só a regulação do sistema financeiro" e o desenvolvimento econômico, mas "a estabilidade de nossas democracias", afirmou Strauss-Kahn diante de uma plateia formada por altos executivos de bancos, aos quais afirmou que "nada garante que possamos resolver outra vez" uma situação de crise similar.

O diretor-gerente do FMI se disse favorável a um fundo de seguros bancado pelas instituições financeiras em função dos riscos que assumem para que, no caso de uma nova crise financeira, o dinheiro não saia dos cofres públicos, mas do próprio setor.

Nesse sentido, lembrou que os dispositivos de ajuda pública foram "indispensáveis" e insistiu em que "há muito a fazer para diminuir o risco" assumido pelas entidades financeiras.

Strauss-Kahn também destacou que "a cooperação internacional deve continuar em um nível pelo menos tão grande" como no último ano, porque "existe o risco" de que, com o fim da crise, cada um siga seu rumo, algo que, para o principal responsável pelo FMI, ainda não aconteceu.

O diretor-gerente da organização considerou que a crise financeira foi "uma crise da regulamentação e da supervisão", embora com a presença de outros elementos agravantes como os desequilíbrios internacionais.

Para Strauss-Kahn, é preciso buscar um acordo internacional que, entre outros pontos, estabeleça uma unificação da regulamentação, critérios comuns para os mecanismos de saída de crise, uma harmonização das garantias e da proteção à clientela dos bancos, e mecanismos para que os organismos supervisores compartilhem suas informações.

As reformas na regulação e a contribuição do sistema financeiro para a formação um seguro próprio do setor deve vir como "um pacote", porque uma coisa não pode ser separada da outra, disse o diretor-gerente do FMI.

Segundo Strauss-Kahn, o setor financeiro mostrou que "tinha crescido demais" e, por isso, deve passar a se concentrar em sua principal tarefa, a intermediação financeira.

Ao mesmo tempo, reconheceu que "não há crescimento possível sem um setor financeiro ativo".

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