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Panamericano saiu de lucro para prejuízo ao mudar critério de provisão para devedores duvidosos. Balanço não tinha ressalvas

O Banco Panamericano, que anunciou na noite desta terça-feira o aporte de R$ 2,5 bilhões de seu controlador para restabelecer seu “equilíbrio patrimonial”, mostrou deterioração em seus números entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. De janeiro a março, a instituição financeira havia lucrado R$ 44,2 milhões. Mas de abril a junho a situação mudou, e foi registrado prejuízo de R$ 20,9 milhões.

No relatório sobre o balanço do segundo trimestre, o último divulgado até agora, o Panamericano diz que sua rentabilidade caiu após mudança de critério na apuração da provisão para devedores duvidosos sobre o estoque da carteira de crédito, que teve reflexos no demonstrativo de resultados.

“Os ajustes necessários foram realizados, principalmente, nos meses de abril e maio e foram discutidos com os nossos auditores independentes e apresentados ao Banco Central, conforme sua orientação”, diz o banco no relatório. No balanço do período, os auditores da instituição financeira, da Deloitte Touche Tohmatsu, não fizeram ressalvas. A divulgação dos números do terceiro trimestre está marcada para esta sexta-feira, dia 12 de novembro.

O banco diz ainda, no documento que acompanha o balanço, que os lançamentos contábeis tiveram impacto negativo de cerca de R$ 120 milhões no segundo trimestre. “Os ajustes realizados não são recorrentes e não implicam necessariamente em perda efetiva”, continua. Segundo informações da página do jornal "O Estado de S.Paulo" na internet, o rombo teria sido resultado de ativos e créditos fictícios registrados por diretores do Panamericano supostamente para inflar os resultados da instituição.

Procurado, o Banco Central (BC) disse que “não vai se manifestar sobre o assunto porque se trata de negócio entre particulares”. Já a assessoria de imprensa do Banco Panamericano afirmou que, nesta terça, não haverá mais novidades além do fato relevante já divulgado. No fato relevante, a instituição diz ainda que trocou sua diretoria. O iG tentou entrar em contato com a assessoria da Deloitte, mas ainda não obteve retorno.

Apesar dos problemas, o banco conseguiu em julho fazer uma emissão de US$ 300 milhões em bônus no exterior. De acordo com fato relevante da época, a demanda pelos papéis teria sido de US$ 2 bilhões, com mais de 170 investidores diferentes participando da operação.

Essa nova emissão faz parte de um programa de US$ 500 milhões em notas do banco. A agência de classificação de risco Moody's atribuiu um rating de Ba2 (Outlook Positivo) para a operação. No dia seguinte, em 29 de julho, a agência de avaliação de riscos FitchRatings elevou a nota concedida ao Panamericano para AA+(bra), que anteriormente era de BBB+(bra).