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Instituição não participa da Fenaban. Negociações nacionais continuam paradas; bancários pedem 11% de aumento.

Os funcionários do Banco de Brasília (BRB) conquistaram 12% de reajuste nos pisos salariais, com todos os demais benefícios. O aumento será de 7% nas funções gratificadas. O acordo fechado pelo bancáros de Brasília ficou acima da reivindicação nacional, que é de 11%, e vem sendo negada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

Em comunicado, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec) - filiada à União Geral dos Trabalhadores (UGT) - diz que o acordo estabelece um novo parâmetro nas negociações, ainda em andamento, com os demais bancos públicos e privados. A Contec afirma que pode retomar as discussões com os demais bancos na próxima segunda-feira, e que insistirá na estratégia de provar, tecnicamente, que há possibilidade de os bancos aceitarem ou superarem a reivindicação salarial dos bancários.

"Vamos aproveitar também para estabelecer indicadores técnicos para a negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que no caso do BRB devem superar os R$ 5.500,00 negociados no ano passado", disse há pouco Lourenço Prado, presidente da Contec. Ele lembra que o BRB está fora da Fenaban, por isso teve mais liberdade de decidir seu reajuste.

Terceiro dia

Enquanto os trabalhadores de Brasília fecham seu acordo, as negociações em nível nacional continuam paradas. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Finaneiro (Contraf-CUT) diz que espera uma contraproposta da Fenaban, mas a Federação dos Bancos afirma que, desde o início das negociações, deixou claro que não dará o reajuste de 11%.

O último boletim divulgado pela Contraf-Cut, nesta quinta-feira à noite, mostrava que pelo menos 4.895 agências ficaram fechadas em todos os 26 Estados e no Distrito Federal, ou cerca de 25% do total. O crescimento é de 26% em relação ao primeiro dia, quando os bancários fecharam 3.864 agências.

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, diz que a tendência é de adesão maior à medida que o tempo passa e os bancos não apresentam nova proposta aos funcionários. Além do reajuste, os trabalhadores reivindicam valorização dos pisos salariais, medidas de proteção da saúde que incluam o combate a assédio moral e a metas abusivas, além de garantia de emprego, mais contratações, igualdade de oportunidades para todos e mais segurança.

Proposta rejeitada

Em assembleias realizadas na terça-feira (28), os bancários rejeitaram a proposta de 4,29% de reajuste oferecida pelos representantes dos bancos. A Fenaban argumenta que fez a proposta aos trabalhadores na expectativa de uma contraproposta, mas eles não apresentaram um novo patamar e decidiram ir à greve. Já a Contraf-Cut diz que aguarda uma nova proposta dos empregadores.

Em comunicado, a Fenaban reitera que os bancos irão manter as agências abertas. "Diante da radicalização do movimento sindical, que abandonou a mesa de negociações apesar da Federação Nacional dos Bancos ter garantido reposição da inflação a fim de negociar aumento real, a entidade e os bancos manifestam sua firme intenção de adotar todas as medidas legais cabíveis e necessárias para garantir o acesso e o atendimento da população nas agências e postos bancários", afirma a entidade, lembrando que a data da greve coincide com o pagamento de pensionistas e aposentados do INSS.

Segundo o comunicado, "a Fenaban e os bancos respeitam o direito de greve. O que não se pode admitir são os piquetes contratados que barram o acesso da população às agências e postos bancários para impor uma greve abusiva, injustificada, pois a Fenaban aceita discutir reajuste real dos salários e demais benefícios da convenção coletiva, inclusive a participação nos lucros e resultados. Mas não pode aceitar um índice exagerado como o pleiteado pelos sindicatos".

São Paulo

Mais de 28 mil bancários aderiram à greve da categoria nesta quinta-feira, segundo dados do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O balanço final aponta que 645 agências bancárias e 14 centros administrativos foram paralisados.

A próxima assembleia será realiza nesta sexta-feira, dia 1º, na Quadra dos Bancários, a partir das 16h, quando a categoria irá decidir sobre os rumos do movimento.

(com Agência Estado)

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