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ANÁLISE-Guerra de preços pressiona aéreas, mas otimismo persiste

Por Carolina Marcondes

SÃO PAULO (Reuters) - Uma guerra de preços no segundo trimestre derrubou os resultados das duas principais companhias aéreas brasileiras, que se viram pressionadas ainda por forte alta nos custos com combustível.

Apesar disso, TAM e Gol mostraram otimismo sobre recuperação de tarifas nos próximos meses e analistas citaram um quadro de bons fundamentos para as empresas no médio prazo.

Enquanto a Gol viu seu lucro de primeiro trimestre se transformar em prejuízo de 358,7 milhões de reais entre abril e junho, a TAM divulgou mais cedo nesta semana uma queda de 53 por cento no lucro sobre os três primeiros meses de 2011.

Nesta sexta-feira, enquanto as ações da TAM saltavam 6,6 por cento, figurando entre as maiores altas do Ibovespa, as da Gol, que já recuaram mais de 50 por cento em 2011, cediam 2 por cento, reduzindo perdas que chegaram a 5 por cento mais cedo.

Mas a grande semelhança entre as duas é que, embora tenham sofrido no trimestre com os yields, indicador referencial de preços de passagens aéreas, ambas esperam que o indicador mostre alguma recuperação ainda em 2011.

Segundo o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, os yields mostrarão recuperação de 4 a 5 por cento "nos próximos meses ou trimestres (...) Tenho expectativa de que isso comece a melhorar ainda esse ano", disse o executivo em teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre.

O comentário vai em linha com o colega de Constantino na TAM, Líbano Barroso, que comentou na quarta-feira que o yield avançará cerca de 5 por cento no terceiro trimestre em relação ao segundo.

No trimestre passado, o yield da TAM no mercado doméstico recuou 2,4 por cento sobre os três primeiros meses do ano e 21 por cento contra o mesmo período de 2010. Enquanto isso, a Gol viu recuos de 8,2 e 13,8 por cento, respectivamente.

Segundo o analista de aviação Marcos Mattos, da corretora Ágora, o resultado da empresa "foi pior que as nossas estimativas pessimistas". Entretanto, ele destacou que o programa de recompra de até 10 por cento das ações da empresa, anunciado nesta sexta-feira, é um sinal positivo.

"Essa decisão da Gol foi acertada, uma vez que mostra a confiança dos seus administradores nos seus fundamentos de médio prazo", disse Mattos em relatório, mantendo a recomendação de compra para os papéis da empresa. A avaliação é semelhante à do Bradesco BBI, que comentou em relatório desta sexta-feira que "continuamos confiantes sobre os fundamentos da empresa no médio prazo".

A Gol, que também divulgou mais cedo programa de corte de 650 milhões de reais em custos até o final de 2012 , encerrou o segundo trimestre com uma geração de caixa medida pelo Ebitdar --sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e aluguel de aeronaves-- negativa em 67,6 milhões de reais, contra resultado positivo de 274,2 milhões um ano antes.

A TAM, por sua vez, encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de 60,3 milhões de reais, revertendo prejuízo de 174,8 milhões de reais do mesmo período do ano passado.

"Dado que o segundo semestre costuma ter sazonalidade melhor, nós esperamos ver uma rica recuperação dos yields, criando uma proteção no caso da volatilidade do petróleo continuar ou se deteriorar pelos próximos trimestres", disseram em relatório os analistas do Bank of America Merrill Lynch, Sara Delfim e Roberto Otero.

"Todavia, nós reconhecemos que a TAM possui uma posição mais favorável", afirmaram, citando como exemplo a compra antecipada de 400 milhões de reais em passagens feita pela Multiplus, subsidiária do grupo TAM.