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ANÁLISE-BB e Bradesco agradam,mas Itaú e Santander frustram no 2o tri

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Mais que aumento dos lucros e do crédito, foi o controle dos calotes e dos custos que definiram quais dos grandes bancos no Brasil agradaram ou frustraram o mercado nos balanços do segundo trimestre.

Num cenário menos vistoso, com alta de juros e medidas restritivas nos empréstimos para o consumo, Banco do Brasil e Bradesco se destacaram, ao evitar uma piora da qualidade da carteira e um aumento das despesas.

O BB, o único que conseguiu reduzir levemente o índice de atrasos de 90 dias no balanço trimestral, também entregou novos ganhos da Previ (fundo de pensão dos funcionários do banco), bom desempenho na tesouraria e em redução de custos, combinação que o fez superar com folga as previsões de lucros do mercado.

"A rentabilidade do BB foi significativamente apoiada por receitas fortes e custos comportados", resumiram os analistas do UBS, em relatório.

Já o Bradesco teve o maior ritmo de crescimento do crédito, sem com isso piorar a inadimplência. Sua rentabilidade também surpreendeu analistas.

"Mais uma vez, o Bradesco conseguiu entregar resultados sólidos", resumiu o Credit Suisse em relatório, no qual manteve recomendação de compra para as ações do banco.

O mesmo não aconteceu com Itaú Unibanco e Santander Brasil que, além de despesas maiores para fazer frente crescentes perdas com empréstimos não honrados de clientes, ainda não começaram a entregar os prometidos ganhos de eficiência em seus processos de fusão.

O Itaú admitiu ter "acelerado" demais os empréstimos para empresas de pequeno e médio portes, justamente um dos segmentos que mais tiveram aumento dos calotes. O banco prometeu cortar mais custos administrativos para tentar amenizar os efeitos da inadimplência, que ainda pode ter uma pequena piora no terceiro trimestre. Após o balanço, as ações do grupo despencaram.

"(Estamos) conscientes da mensagem que o mercados está enviando", disse o diretor de relações com investidores, Alfredo Setubal, em teleconferência com analistas.

No caso do Santander Brasil, de pouco adiantou um lucro acima das expectativas, fazendo a unidade ganhar ainda mais peso dentro dos resultados mundiais do grupo espanhol, abalado pela fragilidade da economia na Europa.

Sem conseguir rentabilizar o capital no mesmo nível dos concorrentes, especialmente após a bilionária oferta inicial de ações de 14 bilhões de reais há dois anos, o banco ainda teve crescimento menor da carteira e inadimplência maior do que a média do mercado. Resultado: suas ações voltaram a cair forte.

"O banco tem performado abaixo de seus concorrentes, isso é um dado", disse a jornalistas o presidente-executivo do banco, Marcial Portela. "Mas, se o investidor for paciente, vai recuperar um valor importantíssimo."