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Análise de risco exige supervisão e transparência

Mais controle, concorrência e abertura de metodologias podem ajudar a melhorar o sistema

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo |

Atordoados com notas que consideram fora do compasso, países e investidores discutem como ajustar o sistema atual de classificação de risco. Recentemente, Raymond McDaniel, executivo-chefe da Moody ' s, admitiu a um comitê do Senado dos Estados Unidos que a agência não foi capaz de antecipar totalmente a gravidade da deterioração do mercado imobiliário daquele país.

De olho nos problemas, o Senado dos Estados Unidos aprovou na semana passada uma emenda ao projeto de lei de reforma do sistema financeiro. A ideia é criar um conselho vinculado à Securities and Exchange Comission, a xerife do mercado, que escolherá quais agências serão responsáveis pela avaliação inicial de produtos financeiros.

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Insatisfeitos, governos e investidores querem controlar as agências de risco
Para especialistas, mais supervisão, transparência e uma revisão de modelos analíticos são muito bem-vindas. “As agências são, sim, suscetíveis a pressão”, disse um diretor de uma empresa brasileira que preferiu não ser identificado. “Não que a pressão chegue ao ponto de transformar uma nota C em A, mas um A- pode virar A+“, afirma.

Antonio Castro, presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), acredita que o sistema ficaria mais ágil com a mudança dos critérios de cálculo utilizados. Ele diz ainda que uma certa benevolência das classificadoras contribuiu para a lentidão dos diagnósticos. “As empresas internacionais possuem um histórico de serem mais condescendentes, por exemplo, na avaliação de risco de países que nunca tiveram problemas.”

Além de alterados, os métodos também poderiam ser auditados, segundo sugestão do professo George Ohanian, do Insper. Ele acredita que a melhoria passa ainda pela divulgação dos métodos. “A transparência de modelos daria ao mercado maior capacidade para julgar as escolhas”, acredita. A abertura da metodologia também é defendida por Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Concorrência

Outro ponto salutar para o sistema é a concorrência. Os especialistas acreditam que a diversificação das fontes de pesquisa ajuda a diminuir os riscos de avaliações erradas.

“Para as empresas brasileiras é interessante, por exemplo, utilizar nas avaliações uma agência de risco local, que conhece melhor o mercado, diz Castro que, além de presidente da Abrasca, também é executivo da companhia de cigarros Souza Cruz. “O melhor é ter sempre mais de uma opinião.”
“Seria recomendável abrir mais o mercado, sair do monopólio das três maiores, que são a Moody’s, a Fitch e a Standard and Poor’s”, complementa Ohanian. “Há mais agências no mercado.”

As locais

O Brasil tem três agências de classificação de risco de maior peso: Austin, SR e LF Rating. A Austin é a maior delas. “Sozinhos, temos 32% do mercado local de avaliação”, afirma Erivelto Rodrigues, presidente da empresa.

Ele reforça o coro dos especialistas ao lembrar que a nota de uma agência não deve ser encarada como uma lei única, mas apenas como uma opinião. “Não somos infalíveis.” Rodrigues também lembra que todo cuidado é pouco e que os investidores precisam atualizar com freqüência suas próprias avaliações. Isso porque as agências podem ser contratadas para dar apenas o primeiro rating da empresa, sem acompanhá-lo, e os números tendem a ficar defasados.

O presidente da Austin Rating conta ainda que, no Brasil, as agências são constantemente monitoradas pela xerife do mercado, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Apesar de não ter poder de punição, a CVM chama cada agência duas vezes ao ano para discutir metodologias.

 

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