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Alemanha azeda humor dos mercados e Bolsa cai 1,89%

No ano, queda do Ibovespa é de 13%; analistas dizem que decisão isolada de um país da União Europeia causa mais aversão ao risco

Olívia Alonso e Nelson Rocco, iG São Paulo |

As medidas adotadas pela Alemanha ontem, de limitar as operações com papéis de algumas instituições financeiras e proibir vendas a descoberto no mercado de “credit swap default” (CDS) azedaram o humor dos investidores. As Bolsas européias reagiram mal, fechando no vermelho. Nos Estados Unidos, apesar dos dados macroeconômicos positivos, as Bolsas operavam em queda.

A Bovespa encerrou o quinto pregão seguido em baixa, com 1,89%, aos 59.689 pontos, . Neste ano, a queda do Ibovespa (o índice referencial da Bolsa) está em 13%. O volume financeiro hoje na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) foi de R$ 8,788 bilhões (no mercado acionário).

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Ibovespa perde 5,9% na semana, 11,6% no mês e 13% no ano
“A União Europeia precisa mostrar mais união. Num primeiro momento, anunciam um pacote de 750 bilhões de euros para ajudar os países em dificuldade, e o mercado ficou aliviado”, lembra Raffi Dokuzian, superintendente da Banif Corretora. “Num segundo momento, cada país age de uma forma”, complementa, fazendo referência às decisões alemãs.

Para Cristiano Souza, economista do banco Santander, o mercado interpreta as medidas alemãs como uma resposta errada. “Não foram as operações de venda a descoberto que deixaram a situação macroeconômica europeia ruim. O que aconteceu foi o contrário. Diante desta medida, os investidores temem que possam surgir novas decisões erradas”, afirma. Dessa forma, as incertezas e tensões dos investidores se refletem em maior volatilidade em todos os mercados globais.

Além disso, a decisão alemã foi tomada em uma hora imprópria, na visão do economista. “Ontem, a bolsa brasileira chegou a dar um pequeno respiro pela manhã, quando, de repente, uma notícia dessas causa ainda mais nervosismo.”

De acordo com o executivo do Banif, ações para inibir aplicações em euro só servem para espalhar mais aversão ao risco nos mercados. Correram rumores hoje no mercado de que a Suíça estaria tomando medidas cambiais para dificultar a conversão de sua moeda para o euro como forma de preservar o seu valor. Mais um ponto para a desconfiança dos investidores e uma corrida para os títulos do Tesouro norte-americano. “O Brasil, como o mercado emergente mais líquido, sofre.”

Jankiel Santos, economista-chefe do Banco Espírito Santo (BES), afirma que as decisões da Alemanha indicam para o mercado que outros países poderão tomar medidas isoladas tentando impor limitações ao mercado. “As pessoas que negociam com esses títulos (limitados pelos alemães) têm que saber o risco que estão tomando e não ficar pedindo proteção (do governo)”, critica o economista.

Cenário de queda

Na opinião de Raffi, o ponto de suporte do mercado acionário brasileiro está nos 60 mil pontos do Ibovespa. “Hoje, essa barreira foi rompida, mas não acredito que o mercado caia mais.” Frederico Soares, chefe da mesa de pessoas físicas do HSBC, diz que o mercado acionário está em um momento muito difícil, voltado para vendas. “Nessas horas, olharmos para as ferramentas técnicas é importante”, diz.

Segundo Soares, as análises técnicas indicam que, caso o Ibovespa fechasse abaixo de 59.800 pontos, poderia haver uma realização muito forte. Ou seja, mais investidores vendendo seus papéis. “O cenário caminha para isso. Podemos voltar aos 52.500 pontos, uma que dá uma queda acentuada.”

Para Santos, do BES, o mercado acionário pode voltar a superar os 60 mil no curto prazo, mas ele acha difícil que se sustente. “A aversão ao risco tende a penalizar todos os mercados e o Brasil não será exceção.”

Estados Unidos

Nem mesmo os Estados Unidos, que vêm mostrando uma rápida recuperação econômica escapam do efeito europeu. O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) revisou hoje sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 2,8% a 3,5% para 3,2% a 3,7%, sinalizando melhora dos fundamentos do país. “A contaminação dos mercados é rápida, automática e no mundo inteiro”, diz Cristiano Souza. Pedro Galdi, analista de investimentos da corretora SLW, acrescenta que o efeito em outras economias deve-se ao risco de “default”. “Os Estados Unidos poderão ser contaminados caso ocorra um calote europeu”, avalia.

Galdi acredita que o nervosismo do mercado é alimentado também pela falta de detalhes em relação ao plano de ajuda europeu. “Os ministros da região se reuniram, mas não deram detalhes. O mercado quer saber mais sobre a ajuda”, afirma.

Na Europa, as bolsas fecharam em queda generalizada. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 2,98%, o terceiro declínio em quatro sessões. Nos Estados Unidos, Nasdaq caia 0,82% por volta de 17h20 e Dow Jones recuava 0,63%.

Dólar

O dólar fechou em alta de 0,88% nesta quarta-feira, em sua quinta sessão seguida de valorização, passando a valer R$ 1,838 na venda. Na semana, a moeda norte-americana teve alta de 1,9%. Desde o início do ano, a alta é de 5,45%.

 

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