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Agência diz que risco de moratória é extremamente baixo e que fundamentos para sustentar rating AAA continuam fortes

A Fitch acaba de divulgar um comunicado sobre a aprovação da elevação do teto da dívida pelo Congresso dos Estados Unidos . Segundo a agência de classificação de risco, o acordo é um importante primeiro passo, mas não é o fim do processo para criar um plano de credibilidade para reduzir o déficit de recursos do país para um nível que assegure o rating AAA do país no médio prazo.

“O risco de moratória da dívida continua extremamente baixo”, diz a Fitch. “O acordo é claramente um passo na direção certa, mas devemos lembrar que os Estados Unidos, bem como vários países da Europa, também vão se confrontar com escolhas difíceis em impostos e gastos, em meio a uma situação econômica fraca, se o déficit e a dívida do governo forem cortados para níveis seguros no médio prazo.”O aumento no teto da dívida e o acordo em parâmetros mais amplos para reduzir o déficit dá suporte ao julgamento da Fitch de que, apesar da intensidade e do teatro do discurso político nos Estados Unidos, há vontade política e capacidade para fazer a coisa certa."

A Fitch disse em comentário de 8 de junho que, caso o teto não fosse elevado até 2 de agosto, o rating do país seria colocado em revisão negativa. Como o acordo foi alcançado, a agência diz agora que espera concluir sua revisão agendada para o rating soberano dos EUA no final de agosto. A revisão vai se focar nos fundamentos de crédito soberano do país em comparação com outros países com o mesmo nível (AAA) e projeções de médio prazo econômicas e fiscais, levando em conta o acordo de domingo, que prevê cortes de US$ 1 trilhão em 10 anos.

“Os fundamentos econômicos e financeiros que sustentam o rating AAA dos Estados Unidos continuam fortes, apesar do debate político aquecido sobre o o papel do governo e de como seria melhor reduzir o elevado déficit federal", diz a Fitch. “Os balanços das empresas e suas rentabilidades permanecem saudáveis, o crescimento da produtividade ainda é forte, e o dólar continua sendo a moeda usada para reservas globais.” Segundo a agência, o setor financeiro e os balanços de hipotecas estão sendo reparados, embora dentro de um longo e custoso processo.

Ainda de acordo com a Fitch, revisões recentes nas estimativas do produto interno bruto do país revelam que a recessão associada à crise financeira 2008-09 foi ainda mais profunda e a recuperação um pouco mais fraca do que previamente estimado, ressaltando avaliação de que a maior parte do déficit do orçamento federal é de natureza estrutural. Para a Fitch, revisões significativas para as políticas de impostos e gastos serão necessários para reduzir significativamente o déficit orçamentário, mesmo se a recuperação ganhar momentum no segundo semestre deste ano e, no médio prazo, puder sustentar uma taxa anual de crescimento de cerca de 2,5%.

"Riscos de mercado e de refinanciamento são minimizados por flexibilidade monetária e da taxa de câmbio, o status do dólar dos EUA como moeda de reserva global, e o tamanho e a liquidez do mercado Tesouro dos EUA não têm paralelo. Além disso, os encargos com juros da dívida federal devem se manter moderados ems padrões históricos e amplamente em linha com pares AAA."

No entanto, a agência lembra que, em uma época de preocupações crescentes quanto à qualidade de crédito de governos soberanos em economias industrializadas maduras, é essencial que que se articule e implemente um confiável plano de redução de déficit. "A Fitch projeta que a dívida pública dos EUA, incluindo a dívida contraída pelos governos estaduais e locais, bem como o governo federal, vai atingir 100% do PIB até o final de 2012, e vai continuar a subir a médio prazo - um perfil que não é consistente com os Estados Unidos manter sua classificação de 'AAA' soberano."

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