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Tamanho da oferta e resultado dos investimentos seguram os papéis. Ação PN em alta e ON em queda

A alta mais forte das ações preferenciais, sem direito a voto, da Petrobras não deve durar por muito tempo. Para analistas de Bolsa, após o alívio desta quinta-feira, ou de mais alguns dias, os papéis tendem a andar de lado, oscilando ao sabor de mais detalhes sobre a oferta da empresa.

“A ação deve subir um pouco, devolvendo os excessos de venda diante de expectativas negativas em relação à efetiva realização da capitalização, mas depois começam a entrar outros fatores na conta dos investidores”, diz Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP). Entre eles estão o próprio tamanho da oferta e os resultados da aplicação dos recursos.

Alexandre lembra que essa oferta, por seu tamanho inédito, trará uma quantidade enorme de novas ações para a Petrobras. Mas os resultados dos investimentos são de longa maturação, e a companhia só deverá colher os lucros de seus esforços no longo prazo. Com isso, há um descasamento de alguns anos: muito mais ações dividirão um lucro ainda não tão grande. Esse fato pressiona os papéis.

Detalhes sobre a própria oferta, como tamanho real do lote de ações a ser oferecido e preço, também devem gerar ajustes nas cotações.

Para Max Bueno, analista da Spinelli, apesar de todas as indefinições, o momento é positivo para a Petrobras. Além de o preço dos barris não fugir do que o mercado já esperava, já que as expectativas foram se ajustando de acordo com as últimas especulações, agora tanto a estatal como os analistas terão um ambiente de mais clareza para trabalhar. “Os analistas e a Petrobras vão poder se concentrar mais na empresa do que nos ruídos que vinham surgindo acerca da capitalização”, diz.

Mas a definição do barril da empresa mostra que o tamanho da oferta é tão grande que tem o poder de influenciar não apenas as ações da empresa, mas de todas as mais líquidas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Analistas atentam para o fato de que, enquanto Petrobras PN sobe, caem OGX, Vale e bancos, os papéis mais negociados normalmente no Ibovespa.

Ainda é um movimento incipiente, mas mostraria que alguns investidores já podem estar antecipando o comportamento que terão na oferta, segundo os especialistas. Por essa lógica, eles vendem papéis semelhantes – em setor ou liquidez – para fazer caixa e comprar Petrobras.

Essa movimentação foi vista no sentido contrário no último ano. Enquanto aguardavam a oferta da Petrobras e vendiam os papéis para pressionar a cotação, os aplicadores compravam OGX e, em menor proporção, Vale e bancos.

Às 12h20, Petrobras PN era a segunda maior alta do Ibovespa, com +1,48%, a R$ 27,43. O índice caía 0,59%. Já OGX estava entre as maiores baixas do indicador, com -1,90%, a R$ 20,60, e Vale PNA recuava 1,20%, para R$ 42,78.

Pesquisa feita com base em números da Economática mostra que as ações mais líquidas da Petrobras (PN) caíram 24,6% este ano, até ontem, cotadas a R$ 27,03. O Ibovespa, por sua vez, recuou apenas 2,2%. Já Vale tem alta de 3,4%, para R$ 43,40. OGX subiu 22,8%, para R$ 21,00.

Minoritários

Os especialistas ainda estão com dúvidas e esperam detalhes da oferta da empresa para fazer suas projeções, mas uma análise é unânime: “o minoritário não teve vez nem voz na decisão sobre o preço do barril”, diz Alexandre, da Apimec. Para os especialistas, o preço que a estatal terá de pagar ao governo é alto e força uma oferta de ações ainda maior.

Com isso, a tendência é de diluição da participação acionária dos minoritários. De acordo com o analista Eric Scott, da SLW Corretora, é por isso que, apesar do alívio de saber que a oferta sairá, as ações com direito a voto da Petrobras (ON) não resistem e caem. São aquelas que devem ter a participação dos acionistas minoritários mais diluída, uma vez que são detidas majoritariamente pelo governo.

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Na operação, a entrada da União num primeiro momento ocorrerá com a troca dos barris, e não com ingresso de dinheiro. A fatia do governo no capital da empresa é de um terço do total. Para mantê-la, precisaria subscrever barris suficientes para isso.

Com o barril a US$ 8,51, e se a Petrobras decidir comprar todos os 5 bilhões de barris de petróleo do governo, o aporte que a União fará na empresa será de US$ 42,3 bilhões, o equivalente a R$ 74,8 bilhões. Como o governo tem cerca de 33% da empresa, os demais acionistas teriam de bancar os recursos restantes, que seriam de R$ 144,8 bilhões.

Se o preço fosse menor, a oferta para os dois terços restantes poderia ser menor. Com o valor maior, os minoritários precisam colocar mais dinheiro para manter sua participação. Para os especialistas, uma oferta cada vez maior diminui a disposição dos investidores menores de acompanhar a operação, e eles acabam ficando com uma participação reduzida.

Bueno, da Spinelli, acredita que os acionistas minoritários não vão exercer seus direitos de subscrição. “Os únicos que devem acompanhar a oferta são os grandes minoritários, que possam ter interesses de participar da gestão, os estrangeiros e os fundos. Para o pequeno acionista minoritário, a adesão vai ser pequena”, afirma. Segundo ele, esse participante menor não tem o objetivo de cuidar da gestão da empresa, assim, não necessita manter sua posição. Além disso, precisaria de um montante de capital significativo para conseguir permanecer com a mesma fatia na estatal.

Nas contas do analista, o acionista que possui R$ 10 mil em papéis da empresa teria que fazer um aporte de mais R$ 3 mil para não ser diluído. Bueno fez o cálculo considerando que a capitalização total será de cerca de US$ 114 bilhões. “Isso implica em uma diluição próxima de 32%. Não acho razoável esperar que o minoritário vá aportar 32% do que ele já tem”, afirma.

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