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Às 10h28, a ação da companhia tinha baixa de 5,19%, a R$ 58,88, de longe o pior desempenho do Ibovespa, que caía 0,35%

O Pão de Açúcar desabava na Bovespa após o grupo varejista ter informado nesta manhã que a Casas Bahia manifestou intenção de rever o acordo de fusão firmado em dezembro de 2009.

Às 10h28, a ação da companhia tinha baixa de 5,19%, a R$ 58,88, de longe o pior desempenho do Ibovespa, que caía 0,35% no mesmo instante.

No fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Pão de Açúcar admitiu que a Casas Bahia manifestou intenção de rever a associação firmada entre ambos.

Pelos termos do acordo, firmado em dezembro de 2009, as operações das Casas Bahia seriam integrados à Globex (Ponto Frio) --adquirida pelo Pão de Açúcar em junho-- e às lojas Extra-Eletro do conglomerado do empresário Abílio Diniz.

Após a conclusão da transação, o Pão de Açúcar teria 50% das ações ordinárias da Globex mais uma, enquanto os donos das Casas Bahia deveriam ficar com 49% do capital votante.

A expectativa era de que a associação gerasse sinergias de R$ 2 bilhões, numa rede combinada e de mais de 1 mil lojas, em 337 municípios de 18 Estados brasileiros, e vendas brutas de R$ 18,5 bilhões em 2008.

Para analistas do setor, grande parte do desempenho das ações do Pão de Açúcar desde então --no período, os papéis subiram cerca de 9%-- tem a ver com as sinergias que a companhia ganhará com a fusão.

"Nossa recomendação de compra inclui ganhos ainda não capturados com a fusão", comentou o Deutsche Bank, em relatório. "Se houver uma renegociação, e dependendo do que ela embutir, isso poderá ser negativo para o Pão de Açúcar".

Foi a mesma linha adotada pela Bradesco Corretora que, no entanto, manteve por enquanto a recomendação de compra para os papéis da varejista.

Consultado pela Reuters, o escritório de advocacia Pinheiro Neto, contratado pela Casas Bahia para rever os termos do acordo, ainda não se pronunciou sobre o assunto.

No comunicado à CVM, o Pão de Açúcar não detalhou os pontos de discórdia da Casas Bahia em relação ao acordo, que considerou "válido e perfeitamente eficaz", e que vai continuar em discussões com vistas a um entendimento de forma a assegurar a implementação da associação".

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