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Com dúvidas sobre potencial contaminação, investidores vendem ações de bancos menores. Impacto nos maiores é restrito

As ações preferenciais do Panamericano fecharam em queda de 29,54% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quarta-feira, cotadas R$ 4,77. O Ibovespa fechou em leve baixa de 0,06%. Ontem, os papéis do banco já haviam registrado queda de 6,7%, para R$ 6,77. O rombo de R$ 2,5 bilhões da instituição financeira está derrubando as ações de outros bancos pequenos e médios na Bovespa.

Os papéis dessas instituições financeiras estão entre as maiores baixas de todo o mercado. BicBanco perdeu 5,36%, Cruzeiro do Sul caiu 1,32%, Sofisa recuou 4,81% e Paraná Banco teve desvalorização de 4,44%.

Apesar da reação em cadeia, as ações que despencam não fazem parte do Ibovespa. Por isso, o principal índice da praça paulista não foi afetado pelas perdas.

O problema no Panamericano e as dúvidas sobre a extensão de seus reais problemas acenderam a luz amarela nas mesas de investimento sobre as condições de liquidez e patrimônio de bancos pequenos no Brasil.

“A falta de informações sobre as inconsistências encontradas no Panamericano e como foram descobertas torna muito difícil determinar quais outros nomes (se existem) no setor podem estar vulneráveis aos mesmos fatores”, diz o Itaú em relatório desta manhã.

“Acreditamos que o mercado deverá penalizar sobretudo todos os nomes que estão mais expostos ao segmento de crédito ao consumo, como Cruzeiro do Sul e BMG”, continua o Itaú.

No Credit Suisse, o relatório da manhã diz que o Panamericano é focado em crédito ao consumo, com mais da metade do portfólio em financiamento de veículos. "A exposição para os bancos maiores é bem pequena", diz o banco no texto. "O anúncio não menciona nenhum default, mas para se ter uma ideia, depositos interbancários são de R$ 574 milhões e, dos R$ 5,1 bilhões de depósitos a prazo, menos de 2% estão nas mãos de instituições financeiras."

A instituição acredita que, por isso, parece que o impacto não deve ser grande para os bancos maiores. "Porém, mesmo que isolado, para os bancos menores a história pode ser outra. Mesmo que estejam 100% clean, o mercado vai comecar a duvidar das práticas contábeis", continua. "Podemos também ver medidas mais severas quanto a requerimentos de capital para carteiras vendidas, o que levaria a uma necessidade extra de dinheiro por parte dos bancos menores, além de um possível aumento no custo do funding."

O Credit Suisse diz que não cobre os bancos menores, mas prefere, de qualquer maneira, os maiores que devem sair relativamente mais fortes desta história.

No Goldman Sachs, o preço-alvo, as estimativas e a recomendação para as ações do Panamericano foram colocados em revisão, em função das incertezas ligadas ao processso.

Eduardo Roche, analista do Banco Modal, classifica como uma "falha grave" o fato de os filtros da Caixa Econômica Federal, do Banco Central (BC) e de auditores independentes não terem identificado um problema de "tamanho gigantesco". "Fica no ar como os envolvidos não perceberam. Todo o processo está mal explicado, mas, em todo caso, o efeito na Bolsa pode ser isolado e limitado", avalia, apostando que as ações de grandes bancos devem seguir voláteis.

Analistas acreditam que o caso tende a elevar ainda mais a volatilidade observada nos negócios nos últimos dias. Ainda assim, as atenções dos agentes estão voltadas para o exterior, onde as bolsas voltam a mostrar fraqueza. Um dia antes do início do encontro de cúpula do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), na Coreia do Sul, a China informou um superávit comercial acima do esperado em outubro, de US$ 27,1 bilhões, com aumento das exportações e das importações, em base anual, mas com redução nas compras de commodities.

Além disso, o gigante emergente adotou medidas específicas para conter o crescimento do crédito, diante das preocupações com a alta da inflação no país e das apostas de aumento do fluxo de capital especulativo. Nos EUA, a agenda econômica prevê a divulgação do número de pedidos de auxílio-desemprego na semana. No mesmo horário, será divulgado o saldo da balança comercial do país em setembro.

(com Agência Estado)