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Economistas aguardam mais uma onda de liquidez no mercado mundial, o que deve dificultar a alta da moeda norte-americana

Na briga pela valorização do dólar, o governo brasileiro é Davi, e o fluxo internacional, Golias. Enquanto o noticiário mostra as renovadas preocupações do Ministério da Fazenda com o câmbio, chovem relatórios de bancos e consultorias indicando que a liquidez mundial destinada aos mercados emergentes está muito forte e não deve diminuir tão cedo.

Em levantamento do último dia 21 de outubro, a EPFR, empresa que registra as movimentações de fundos no mundo, conta que a América Latina recebeu dinheiro fresco pela décima semana seguida. O relatório destaca especificamente o Brasil, a despeito das elevações do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) feitas pelo governo federal. Entre setembro e a semana passada, os fundos brasileiros de ações haviam atraído US$ 2,28 bilhões.

Juros altos e boas perspectivas de crescimento, em detrimento das ainda combalidas economias dos países desenvolvidos, ainda chamam a atenção dos estrangeiros. “Os eventos esportivos vão gerar demanda por capital”, acrescenta Alexandre Chaia, professor de Derivativos do Insper. Para ele, o fluxo de capitais é resultado da atratividade do mercado brasileiro, pois o investidor estrangeiro vê o Brasil como uma grande oportunidade. “A vinda de dólares é o preço do sucesso do Brasil”, diz.

Real x Dólar

(R$)

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Economática e corretoras

Estados Unidos

Como se não bastasse toda a onda de dinheiro esperada para o Brasil, os mercados ainda aguardam um provável tsunami de novos dólares em breve. O Comitê Federal de Mercado Aberto dos Estados Unidos (Fomc, na sigla em inglês) se reúne na próxima quarta-feira, dia 3 de novembro, para decidir se promove uma nova rodada de estímulos monetários para sua economia.

“Entre 2008 e 2009 eles emitiram US$ 1,3 bilhão, e devem fazer algo parecido dessa vez”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Com essa nova enxurrada de dólares, o governo dos EUA tenta fazer o dinheiro circular e criar demanda no país. Essa medida contribui para que o dólar continue a se desvalorizar, e não apenas em relação ao real, mas a outras moedas também.

“A baixa do dólar não é exclusiva daqui, é global”, diz Marianna Costa, economista-chefe da corretora Link Investimentos. Com o objetivo de acelerar a recuperação do país, o governo também mantém o juro baixo, para que as pessoas tomem mais financiamentos. Assim, mais dólares ficam em circulação, o que acaba pressionando o valor da moeda.

A ligeira alta para 2011

Apesar do cenário estável para o dólar este ano, os economistas esperam que o dólar tenha uma ligeira alta no ano que vem. A expectativa, mais uma vez, recai sobre o comportamento da economia dos Estados Unidos. “Quando as medidas monetárias começarem a surtir efeito, os indicadores econômicos dos EUA ficarão mais atrativos que os da Europa e do Japão”, diz Maurício Molan, economista do Santander. Para Marianna, da Link, essa melhoria pode até levar o Banco Central dos EUA a promover uma elevação de juros.

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