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Sem dinheiro, país não conseguirá pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI, o que aumenta o risco de uma saída dele da zona do euro

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse nesta segunda-feira (22) em Bruxelas, Bélgica, onde ocorrerá uma cúpula de emergência da zona do euro, que é tempo de encontrar uma "solução substancial" que permita à Grécia voltar ao crescimento dentro da região.

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Alexis Tsipras encontra-se com o presidente grego Karolos Papoulias no dia em que é empossado (26/01/2015)
AP Photo
Alexis Tsipras encontra-se com o presidente grego Karolos Papoulias no dia em que é empossado (26/01/2015)

A rápida declaração à imprensa aconteceu antes de a autoridade se reunir com o presidente do Executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, na sede do Conselho Europeu, em Bruxelas.

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Esta segunda é um dia-chave para a Grécia e a zona do euro, com uma reunião de emergência dos 19 chefes de Estado e de governo dos países que partilham a moeda única. Depois de cinco meses, Atenas, a capital grega, e os credores (representados pela Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu) não conseguiram chegar a um acordo que permitisse libertar o valor de 7,2 bilhões de euros tão necessários aos cofres públicos do país.

Sem dinheiro, a Grécia não conseguirá pagar 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em 30 de junho, o que coloca o país em default (descumprimento de pena) e aumenta o risco de uma saída da zona do euro.

Além do encontro, reúnem-se hoje, a partir das 11h30 (hora de Lisboa), os ministros das Finanças da zona do euro (o Eurogrupo) para analisar a nova proposta do governo grego que chegou na madrugada de hoje aos líderes europeus e que foi qualificada pelo chefe de gabinete do presidente da Comissão Europeia, Martin Selmayr, como "uma boa base para o progresso".

Além das várias reuniões que ocorrem hoje em Bruxelas, em Frankfurt, na sede do Banco Central Europeu (BCE), já foi realizado um encontro para avaliar novamente a liquidez do setor bancário grego, depois da intensa fuga de depósitos da semana passada, de mais de 3 bilhões de euros, e quando os pedidos de retirada de depósitos para esta segunda-feira chegam a 1 bilhão de euros.

O BCE voltou hoje a elevar a liquidez de urgência aos bancos gregos, admitindo que os governadores da instituição poderão voltar a fazê-lo "a todo o momento", se for necessário.

Uma fonte bancária grega citada pela agência francesa AFP adiantou que "os governadores podem reunir-se a todo momento" para tomar nova decisão de ajuda às instituições financeiras gregas, se isso for necessário, "ainda hoje ou amanhã [terça-feira]", em função do resultado das negociações em curso em Bruxelas entre o Executivo de Atenas e os seus credores internacionais, no dia de um Conselho Europeu extraordinário para debater o problema.

Desde fevereiro - quando o programa de resgate da Grécia foi estendido até junho - se arrasta o processo de negociações entre Atenas e os credores sobre as reformas a serem adotadas pelo país. Houve mudanças na equipe de negociadores, mensagens contraditórias, confrontos, fugas de informação e, sobretudo, poucos avanços.

O governo do partido de esquerda Syriza admite agora alterar o imposto sobre o consumo (IVA) em alguns alimentos ou hotéis para aumentar as receitas fiscais, mas recusa a subida em 10 pontos percentuais no IVA sobre a eletricidade.

Nas pensões, aceita o fim das reformas antecipadas no próximo ano, mas os credores querem muito mais, como o corte das pensões que represente uma poupança de 1,8 milhão de euros em 2016.

A questão-chave para o Executivo grego passa, no entanto, pela aceitação, por parte dos credores, de uma reestruturação da dívida pública, que equivale a 180% da riqueza produzida por ano no país.

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