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Moeda subiu 1,34%, máxima desde 1º de abril de 2005

Reuters

O dólar fechou em alta de mais de 1% nesta quinta-feira (11), encerrando a R$ 2,64 pela primeira vez em quase dez anos, impulsionado por dúvidas sobre o futuro do programa de intervenções do Banco Central no câmbio e o ambiente externo mais desfavorável.

A moeda norte-americana subiu 1,34%, a R$ 2,6476 na venda, máxima de fechamento desde 1º de abril de 2005, quando ficou em R$ 2,660. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,5 bilhão.

"O cenário externo piorou bastante durante a tarde e o mercado, que já está nervoso porque não sabe o que vai acontecer com o programa do BC, bateu as máximas. O resultado é que todo mundo que estava vendido se apavora e foge", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

Uma rodada de dados fortes sobre a economia dos Estados Unidos, incluindo vendas no varejo, deixou investidores nervosos a uma semana da reunião do Federal Reserve, banco central norte-americano. Os agentes financeiros temem que o Fed abandone a promessa de manter os juros quase zerados por um "tempo considerável", o que tenderia a impulsionar o dólar.

Segundo operadores de importantes casas de câmbio, operações automáticas de compra de divisa foram ativadas quando o dólar atingiu cotações próximas de R$ 2,63. Investidores vendidos em dólares haviam montado essas operações ("stop-loss") para limitar suas perdas.

O avanço aumentou a pressão sobre o mercado de câmbio, que já vive as incertezas sobre a continuidade do programa de atuações diárias do BC no câmbio.

"O mercado está ansioso em relação a essa questão das atuações diárias e há incerteza sobre como vai ser a política econômica. O ambiente ainda não está tranquilo", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Investidores têm as atenções voltadas também para a nova equipe econômica, encabeçada por Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no BC. Os três têm sinalizado uma política econômica mais ortodoxa, o que tem agradado o mercado, mas os agentes financeiros querem ver agora quais medidas concretas serão tomadas.

"Mesmo sabendo que estamos caminhando na direção de melhorar, a jornada não vai ser fácil", disse o operador de uma corretora internacional.