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Em dia de giro financeiro abaixo de US$ 1 bilhão, cotação da moeda norte-americana voltou a patamar registrado há 9 anos

O dólar subiu 0,7% nesta segunda-feira (8) e fechou a R$ 2,61 pela primeira vez desde meados de 2005, com analistas citando uma operação de saída de recursos cujo impacto foi turbinado pelo baixo volume de negócios, em meio a um ambiente externo mais desfavorável.

Internamente, analistas afirmaram que também tem contribuído para a alta do dólar a incerteza sobre quais medidas a nova equipe econômica tomará para enfrentar o quadro doméstico de inflação alta e crescimento baixo, além do futuro do programa de intervenções diárias do Banco Central no câmbio.

A moeda norte-americana subiu 0,7%, a R$ 2,6115 na venda, maior cotação de fechamento desde abril de 2005.

Na câmara de dólar à vista da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 750 milhões. Já no mercado futuro, foram negociados cerca de 220 mil contratos para janeiro, contra a média diária das últimas 20 sessões de cerca de 280 mil.

"Num dia de baixo volume que nem hoje, qualquer operação acaba fazendo estrago", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Segundo operadores, a grande operação de saída de dólares ocorreu aproximadamente ao mesmo tempo em que o petróleo Brent ampliou as perdas para queda de US$ 3 por barril, ainda refletindo a perspectiva de oferta abundante combinada com demanda fraca devido ao enfraquecimento da economia global.

"O mercado está fraco, com pouco volume, o que é tradicional do fim do ano", afirmou o gerente de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel, citando ainda a indefinição sobre as medidas econômicas que serão adotadas pela próxima equipe econômica.

Joaquim Levy e Nelson Barbosa –indicados para assumir os ministérios da Fazenda e do Planejamento, respectivamente– já trabalham para mostrar uma orientação mais ortodoxa na política econômica, o que inicialmente animou os mercados.

Mas após o otimismo inicial, investidores voltaram a adotar cautela, buscando sinais concretos de que as promessas de maior transparência e contenção fiscal serão cumpridas.

"A perspectiva está incerta, o que autoriza uma postura de investimentos mais defensiva. Existe um viés de melhora, mas ainda há muita indefinição", resumiu o superintendente de derivativos de uma gestora de recursos estrangeira.

O mercado também busca sinais sobre o futuro do programa de intervenções diárias do Banco Central, que está marcado para durar até pelo menos o fim deste ano. Se o programa for reduzido ou eliminado, o resultado será uma diminuição da liquidez do mercado doméstico justamente no ano em que se espera que o Federal Reserve, banco central norte-americano, comece a elevar os juros.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, todos com vencimento em 1º de junho de 2015, com volume financeiro equivalente a US$ 198,6 milhões. Foram ofertados papéis para 1º de setembro de 2015 também, mas não foi vendido nenhum.

O BC também vendeu a oferta integral de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de janeiro, equivalentes a US$ 9,827 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 30% do lote total.

A autoridade monetária ainda realizou nesta sessão um leilão de venda de até US$ 1 bilhão com compromisso de recompra em 2 de abril de 2015. A taxa de recompra ficou em R$ 2,673874.