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A expectativa é de que o BC eleve a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual (para uma taxa anual de 11,75%)

O dólar fechou em queda de 0,74% nesta quarta-feira (3), com investidores se antecipando a uma possível aceleração do processo de aperto monetário pelo Banco Central, o que pode atrair mais recursos externos para o mercado doméstico.

A expectativa é que o BC possa elevar a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual (para uma taxa anual de 11,75%), ante alta de 0,25 ponto na reunião anterior (que deixou no patamar de 11,25%, desde o fim de outubro).

A moeda norte-americana caiu para R$ 2,5567 na venda, após atingir R$ 2,5495 na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,5 bilhão.

O mercado também ficou no aguardo de mais pistas sobre quais ações no campo fiscal serão tomadas para enfrentar o quadro de inflação alta e crescimento baixo pela nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff. O futuro do programa de intervenções diárias do BC também manteve-se no radar.

"A perspectiva para o dólar no curto prazo está um pouco indefinida. Vamos começar a ter mais sinais sobre isso com a decisão do Copom, mas ainda precisamos observar outros fatores, como a ata e a política fiscal", disse o gerente de câmbio da corretora Fair, Mario Battistel.

O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia ainda nesta quarta-feira a nova taxa básica de juros, e no mercado de juros futuros, investidores apostavam majoritariamente no aumento de 0,50 ponto percentual da Selic, a 11,75%.

Segundo analistas, a decisão afeta não só a perspectiva de investimentos no Brasil como também a percepção de credibilidade da nova equipe econômica – encabeçada por Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa no Planejamento e Alexandre Tombini no BC –, que até agora tem agradado os mercados.

A perspectiva de que o programa de atuações diárias no mercado de câmbio seja reduzido ou eliminado no ano que vem continuava no radar do mercado. Tombini afirmou na semana passada que o atual estoque de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, "já atende de forma significativa" à demanda por proteção cambial.

"Precisamos de mais detalhes. A conclusão, depois de todo o otimismo, é que o mercado ainda quer mais definições antes de dar o voto de confiança", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

Nesta sessão, o BC vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais pelas atuações diárias. Foram vendidos 3,5 mil contratos para 1º de junho e 500 para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a US$ 198,3 milhões.

BC também vendeu a oferta integral de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de janeiro, equivalentes a US$ 9,827 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 15% do lote total.