Tamanho do texto

Banco Central anunciou o aumento da rolagem dos contratos de swap cambial com a alta do dólar

Dólar fecha em R$ 2,38 após intervenção
Carlos Severo/Fotos Públicas
Dólar fecha em R$ 2,38 após intervenção

O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (24), com o aumento da atuação do Banco Central no câmbio levando a cotação no mercado futuro a recuar abaixo de um nível técnico importante, desencadeando operações automáticas de venda da divisa norte-americana.

LEIA MAIS: Banco Central diz que atua no câmbio "sempre que julga necessário"

O BC anunciou na terça-feira (23), após o dólar fechar acima de R$ 2,40 pela primeira vez em sete meses, o aumento da rolagem dos contratos de swap cambial, que equivalem a uma venda futura de dólar, que vencem em primeiro de outubro.

O dólar encerrou nesta quarta-feira (24) em queda de 0,98%, a R$ 2,3835 na venda. No mês, o dólar acumula alta de 6,45%. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro do mercado à vista ficou em torno de US$ 1 bilhão.

"Está dado o recado: o BC não quer que o dólar suba mais", disse o tesoureiro-chefe do banco Daycoval, Gustavo Godoy, acrescentando que a moeda norte-americana deve continuar rondando o patamar de R$ 2,40, a menos que as pesquisas eleitorais surpreendam.

O BC vendeu nesta manhã a oferta ampliada de 15 mil swaps para rolar os contratos que vencem em 1º de outubro, mais que o dobro do volume que vinha colocando até então, de 6 mil swaps por dia. Ao todo, o BC já rolou o cerca de 64% do lote total, que corresponde a US$ 6,677 bilhões. Se mantiver a oferta de 15 mil contratos por dia até dia 29, e vender tudo, o BC rolará quase 100% do lote.

Nesta manhã, o BC também deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps, com volume equivalente a US$ 197,6 milhões. Foram vendidos 1 mil contratos para 1º de junho e 3 mil para 1º de setembro de 2015.

"Quer seja a intenção do BC ou não, sua política de intervenções levou o real a ser negociado em 'zonas' bem definidas, a mais recente sendo aproximadamente R$ 2,20 a R$ 2,30. Essa última intervenção, se bem-sucedida, parece estar preparando uma zona de R$ 2,30 a R$ 2,40", escreveu o diretor de pesquisa para mercados emergentes do Nomura, Tony Volpon, em relatório.

"Está tudo em cima de expectativas sobre as eleições e, neste momento, essas expectativas são favoráveis à alta do dólar", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca.

Por isso, o dólar passou boa parte do pregão alternando entre leves altas e baixas, puxado de um lado por incertezas eleitorais e, do outro, pela ação do BC. Mas a divisa firmou-se em queda na última hora do pregão, após o contrato de dólar para outubro cair abaixo de R$ 2,40.

Segundo operadores, o movimento desencadeou uma série de ordens de zeragem de posição com o objetivo de reduzir perdas ("stop-loss"), o que levou a divisa a ampliar as perdas também no mercado à vista, com forte volume de negócios. Cerca de um quinto dos contratos futuros de dólar negociados neste pregão foram transacionados entre 15h51, quando o contrato rompeu o suporte técnico, e o fechamento, às 17h30.

"(O dólar futuro) rompeu os R$ 2,40 e foi que foi. Foi um furor de origem técnica", disse o operador de derivativos de um importante banco nacional.

O primeiro contrato futuro de dólar fechou cotado a R$ 2,3865, em queda de 1,26%.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.