Tamanho do texto

Propostas para elevar o crescimento global vão agora para a aprovação formal na cúpula de líderes do G20 em Brisbane

Reuters

Ministro das Finanças de 20 países estiveram reunidos na Austrália
Reuters
Ministro das Finanças de 20 países estiveram reunidos na Austrália

O G20 afirmou que está perto de adicionar US$ 2 trilhões extras à economia global e de criar milhões de novos postos de trabalho, mas a estagnação prolongada da Europa continua a ser um grande obstáculo.

LEIA MAIS: Pobreza ronda maioria dos trabalhadores de países emergentes, diz estudo

Ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais reunidos na cidade australiana de Cairns apontaram progresso na blindagem do sistema financeiro mundial e em reduzir as brechas fiscais exploradas por multinacionais.

Eles também abordaram o problema espinhoso de convidar o presidente russo, Vladimir Putin, para a cúpula dos líderes do G20 em novembro devido aos acontecimentos na Ucrânia. Eles chegaram ao consenso de manter a pressão diplomática, mas deixar a porta aberta para a sua participação.

"Estamos determinados a elevar o crescimento, e os países estão dispostos a usar todas as nossas alavancas macroeconômicas -- políticas monetária, fiscal e estrutural -- para enfrentar esse desafio", disse o ministro do Tesouro australiano, Joe Hockey, que sediou o evento.

Quase mil medidas foram propostas para impulsionar o crescimento global em até 1,8% até 2018, aproximando-se da ambiciosa meta de 2 pontos percentuais adotada em fevereiro.

Uma preocupação comum era o risco de o desequilíbrio econômico na Europa puxar os outros países para baixo. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, citou diferenças "filosóficas" com alguns de seus colegas da Europa, especialmente sobre a necessidade de estímulos de curto prazo.

"A preocupação que eu tenho é que, se os esforços para impulsionar a demanda forem adiados por muito tempo, há um risco de que os ventos contrários fiquem mais fortes e que a Europa precise de um pouco mais de ventos a favor na economia", disse Lew.

O argumento não encontrou ressonância no ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, que enfatizou a necessidade de reformas estruturais e controles orçamentários rígidos.

As propostas para elevar o crescimento global vão agora para a aprovação formal na cúpula de líderes do G20 em Brisbane, em novembro.

A principal delas é uma iniciativa global que visa aumentar o investimento privado em infraestrutura, um dos assuntos de destaque para os australianos que lideram o G20 este ano.

Cúpula evidencia Europa e deixa China de lado

Enquanto as falhas da Europa foram o centro das atenções, surpreendentemente a desaceleração da China foi pouco discutida, ao menos publicamente.

"Nosso ponto fundamental sobre a meta de crescimento é que com a China desacelerando em um sentido estrutural ... vai ser extremamente difícil atingirmos o número (2%), considerando o enorme impacto aritmético da China", disse Huw McKay, economista da Westpac.

O ministro das Finanças da China, Lou Jiwei, disse que as medidas de estímulo também trouxeram problemas como o excesso de capacidade, a poluição ambiental e a crescente dívida de governos locais, apenas o mais recente sinal de que qualquer afrouxamento de política no país seria limitado.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.