Tamanho do texto

Alta desta sexta-feira foi a maior em quase 10 meses para a moeda norte-americana, que subiu na semana 4,26%

Reuters

O dólar fechou esta sexta-feira com a maior alta ante o real em quase dez meses, após pesquisas eleitorais. A divisa chegou a subir mais de 2% e encostar em R$ 2,35 durante a sessão, mas o movimento perdeu força na última hora do pregão.

Isso porque investidores passaram a se posicionar para um possível anúncio de uma atuação mais forte do Banco Central para combater a volatilidade do câmbio e potenciais impactos sobre a inflação provocados pelo encarecimento de importados.

A cotação do dólar ante o real ainda não deverá ser suficiente para elevar de forma expressiva os preços da soja no Brasil e destravar os negócios da nova safra, que começa a ser plantada em poucos dias, disseram especialistas.

Leia mais:  Lillo faz recall de chupeta por risco de engasgamento

O dólar bateu quase R$ 2,35 nesta sexta, em alta influenciada por pesquisas eleitorais, deixando mais firme o preço da commodity no Brasil. Mas esses ganhos pelo câmbio esbarram em preços menores no exterior.

Moeda subiu 1,65% influenciada por pesquisas eleitorais
Thinkstock/Getty Images
Moeda subiu 1,65% influenciada por pesquisas eleitorais

A cotação da soja na bolsa de Chicago (CBOT) continuou negociada abaixo de US$ 10 por bushel, perto da mínima de quatro anos.

"Por enquanto muda muito pouco. A queda acumulada da semana na CBOT foi muito grande em função do (relatório de safra do) USDA de ontem", disse o diretor da França Junior Consultoria, Flávio França Jr.

Segundo o consultor, atualmente 10% da safra 2014/15 está comercializada antecipadamente, contra 25% das vendas da safra 2013/14 um ano atrás, e 22% da média histórica para o período.

A última vez que a comercialização antecipada de uma safra esteve tão baixa foi em 2009/10, quando os preços internacionais bateram em patamares semelhantes aos atuais, disse França Jr.

O mercado da oleaginosa segue pressionado pelas perspectivas de uma produção recorde nos EUA, a ser colhida nas próximas semanas e de uma nova safra histórica no Brasil, onde o plantio começa ainda este mês, com colheita prevista a partir de fevereiro de 2015, conforme reforçaram dados do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) divulgados na quinta-feira.

Os preços oferecidos pela soja nos portos reagiram levemente, mas ainda não estimulam as vendas, disse o operador de commodities Marco Henrique Serra, da Itrading, de Curitiba.

Segundo ele, os preços comentados em Paranaguá (PR) ficaram entre R$ 54,50 a R$ 55,50 por saca nesta sexta-feira, alta de cerca de R$ 1 ante o registrado na semana passada, já por efeito do câmbio.

"Por incrível que pareça, por ora nada muda (na comercialização). O produtor não está vendendo", disse.

Segundo Serra, o câmbio começaria a aquecer os negócios com soja se ficasse acima de R$ 2,40.

"A grande maioria dos produtores está comercializada abaixo de 20% da safra nova, mesmo quando o mercado indicava possibilidade de níveis menores", disse Pedro Dejneka, presidente da consultoria AGR Brasil, em Chicago.

O contrato futuro da soja na CBOT para março de 2015, mês de forte colheita e muitos negócios com soja no Brasil, já caiu mais de 12% desde o início do ano.

"O produtor brasileiro, por sua grande maioria, não aproveitou preços melhores para comercializar a sua produção", disse Dejneka. "Infelizmente, acredito que somente alguns saberão aproveitar (a atual janela de oportunidade de alta do dólar)."

O Cepea, centro de pesquisas da Universidade de São Paulo, destacou em relatório nesta sexta-feira que "as negociações estão bastante lentas". Cerca de 15% da soja da safra 2013/14, já colhida, ainda não foram negociados, e apenas 12% a 14% da soja da temporada 2014/15 foram comercializados antecipadamente.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.