Tamanho do texto

Presidente do banco público aponta que banco atua para compensar vazios de bancos privados

Luciano Coutinho, presidente do BNDES: banco pode receber mais demanda este ano
Wilson Dias/ABr
Luciano Coutinho, presidente do BNDES: banco pode receber mais demanda este ano

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta terça-feira (24) que a instituição pública atua no mercado para "compensar" lacunas deixadas por bancos privados, em um cenário econômico de "incertezas". A entidade é responsável por fazer empréstimos de juros baixos a empresas para estimular o crescimento do País.

Segundo explicou, o cenário econômico de "incertezas" costuma aumentar o receio das empresas em investir. Coutinho disse, no entanto, que é cedo para afirmar se o desembolso do BNDES este ano será maior ou menor que o de 2013, quando o banco concedeu R$ 190,4 bilhões em empréstimos, valor 22% maior do que o liberado em 2012.

Leia também: Taxa de juros usada pelo BNDES é mantida em 5% ao ano 

"A expectativa é que o sistema bancário privado pudesse cumprir um papel mais expressivo esse ano, mas o que estamos assistindo é um período de maior cautela do sistema bancário privado e isso talvez provoque maior demanda sobre nós", reconheceu.

De outro lado, segundo explica, as companhias preferem não pegar empréstimos para evitar dívidas que podem não dar conta de pagar. Nessa situação, o BNDES atua para estimular as empresas em condições mais favoráveis que o mercado de bancos privados. Em maio, o Tesouro Nacional autorizou um aporte de R$ 30 bilhões no banco publico para garantir a capacidade de desembolsos.

"Temos feito o esforço de sustentar o desenvolvimento no momento em que as condições estão incertas", disse Coutinho. Segundo ele, o dinheiro a mais chega para que o banco continue mantendo "o fluxo de investimento necessário para a economia ter sua vitalidade mínima", completou.

De acordo com dados oficiais sobre o Produto Interno Bruto (PIB), indicador que expressa a soma das riquezas produzidas no País, o investimento caiu 2,1% nos primeiros três meses de 2014, em comparação com os três meses finais de 2013. Foi a maior queda desde 2012.

O presidente do banco disse que o problema no curto prazo é que os investimentos são afetados por percepções conjunturais, como a maior volatilidade, redução da confiança na economia e, consequentemente, da demanda. No médio e longo prazos, revelou, no entanto, que os planos de investimentos devem aumentar. As declarações foram dadas a jornalistas no Rio Conference, na zona portuária da capital fluminense.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.