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Moeda perdeu 0,5% e não deve voltar para próximo dos R$ 2,30 na semana que vem

BC, de Alexandre Tombini, é contrário a dólar a R$ 2,30 por ser inflacionário
Elza Fiúza/ABr
BC, de Alexandre Tombini, é contrário a dólar a R$ 2,30 por ser inflacionário

O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (6) pela segunda sessão seguida, ficando abaixo de R$ 2,25, com os investidores reagindo aos dados positivos do mercado de trabalho dos Estados Unidos e à pesquisa eleitoral que mostrou queda na intenção de votos da presidente Dilma Rousseff.

A moeda norte-americana perdeu 0,5%, a R$ 2,2496 na venda, após chegar a R$ 2,2392 na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o volume ficou em torno de US$ 1,1 bilhão.

Na semana, alta e de 0,39%

O dólar encerrou a semana ainda em leve alta de 0,39%, mas deixa para trás o patamar de R$ 2,30 que se aproximou na quarta-feira (4), quando fechou a quarta sessão em alta, acumulando valorização de 2,68% no período.

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"A pesquisa (eleitoral) causou a movimentação inicial no mercado", afirmou o diretor de câmbio da Pioneer Corretora, João Medeiros, acrescentando que a queda do dólar perdeu fôlego na reta final do pregão porque entraram compradores aproveitando a cotação mais baixa da semana.

O levantamento do Datafolha mostrou queda de 3 pontos percentuais da presidente Dilma (PT), para 34% das intenções de voto, enquanto seu principal adversário, Aécio Neves (PSDB), perdeu 1 ponto percentual, para 19%. A pesquisa também mostrou maior dificuldade de Dilma vencer seus adversários no segundo turno.

Movimentos são mais especulativos

Os números aparecem num momento de fraca atividade econômica e confiança em baixa. Operadores lembraram que a queda do dólar nesta sessão veio de movimentos especulativos, e não de fluxos de recursos. No mercado futuro, o dólar para julho teve queda mais expressiva do que o à vista, de quase 0,64%.

"As negociações estão concentradas nos derivativos. É mais especulação do que fluxo de investimentos de estrangeiros. É um game de locais", afirmou um operador de câmbio de banco internacional.

O dólar também foi puxado para baixo pela divulgação de dados positivos no mercado de trabalho nos Estados Unidos, mostrando que a maior economia do mundo está em recuperação. Foram criadas 217 mil vagas fora do setor agrícola, praticamente similar aos 218 mil estimados em pesquisa da Reuters.

O resultado sustentou a visão de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, não vai alterar o curso de redução dos estímulos monetários. A moeda dos EUA perdeu terreno em relação a moedas como a lira turca e o peso chileno.

Os investidores locais também mantinham a expectativa de maior entrada de recursos estrangeiros, após o Banco Central Europeu (BCE) reduzir as taxas de juros e anunciar medidas de estímulo para reativar a economia da região que devem elevar a liquidez global.

O BC deu continuidade às suas intervenções mercado brasileiro. A autoridade monetária vendeu a oferta total de até 4 mil swaps [ equivalentes a vendas de dólares no mercado futuro ], com 500 contratos para 1º de dezembro e 3,5 mil para 2 de fevereiro do próximo. O volume da operação foi de US$ 198,8 milhões.

E também vendeu a oferta total de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em julho, no valor equivalente a US$ 10,060 bilhões. Até agora, já rolou pouco mais de 22% do total.

Para Medeiros, da Pioneer, com a perspectiva de o BC rolar quase a totalidade dos contratos de swap com vencimento em julho, aliados à expectativa de entrada de recursos por causa das medidas do BCE, a moeda norte-americana deve girar em torno de R$ 2,25 na próxima semana e não voltar a testar o patamar de R$ 2,30.

Boa parte do mercado acredita que o BC não quer o dólar acima de R$ 2,30 por ser inflacionário.

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