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Moeda americana perde 1% com anúncio de estímulos à economia na Europa

Reuters

BCE, de Mario Draghi, reduziu taxas de juros
Getty Images
BCE, de Mario Draghi, reduziu taxas de juros

O dólar fechou em queda ante o real nesta quinta-feira (5), após o Banco Central Europeu (BCE) reduzir as taxas de juros da zona do euro e anunciar medidas de estímulo que geraram expectativa de aumento da liquidez internacional.

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A moeda americana perdeu 1%, a R$ 2,2608 na venda, registrando o maior recuo diário desde o início de abril. Segundo a BM&F, o volume financeiro ficou em US$ 2,275 bilhões.

Estímulo do  BCE colocará mais liquidez no mercado

"O estímulo dado à economia da zona do euro vai gerar mais liquidez. Os bancos vão colocar mais dinheiro na economia. E, fatalmente, vai ter melhora do fluxo para cá", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

O BCE cortou todas as suas principais taxas para mínimas recordes e, pela primeira vez, adotou taxa de depósito negativa, o que significa que cobrará 0,10% dos bancos por depósitos overnight (transações de um dia no mercado imobiliário).

Mas o BCE não anunciou por enquanto compras de ativos em larga escala, conhecidas como quantitative easing , apesar de o presidente da instituição, Mario Draghi, ter dito que mais medidas podem ser adotadas.

Um dos chefes do BNP Paribas para o mercado europeu, Ken Wattret demonstrou, em relatório, ceticismo sobre se as medidas anunciadas pelo BCE serão suficientes para conter a baixa inflação.

"Há dúvidas sobre se vão entregar um aumento 'significativo' na flexibilização monetária para mudar a dinâmica de inflação [ na zona do euro ]", escreveu.

Apesar das dúvidas sobre os efeitos na economia da região, a expectativa é que os recursos se desloquem para o Brasil em busca de maiores rendimentos.

"Esse dinheiro vai atrás de lucratividade. E o Brasil tem taxa de juros alta para oferecer rentabilidade", disse Galhardo.

Fluxo não deve levar a quedas expressivas da cotação

Mas esse fluxo não deve levar a quedas mais expressivas do dólar em relação ao real, segundo um tesoureiro de banco nacional, porque ainda há dúvidas sobre o desempenho da economia brasileira.

"O mau humor que existe não vai se dissipar com o BCE. Então, não tem motivo para quedas expressivas", disse o tesoureiro, que pediu para não ser identificado.

O Banco Central brasileiro gerou dúvidas no mercado nas últimas sessões sobre suas intervenções no mercado cambial. Operadores e analistas têm questionado sobre se a autoridade monetária pretende fazer a rolagem total dos contratos de swap cambial (equivalentes a vendas de dólares no mercado futuro) que vencem em 1º de julho e como será a prorrogação do programa de intervenções diárias no câmbio.

O BC vendeu todos os 10 mil papéis oferecidos nesta quinta-feira (5) para a rolagem dos contratos que vencem no início do próximo mês. Com isso já rolou pouco mais de 17% do lote total, que corresponde a US$ 10,060 bilhões. Se mantiver o ritmo de oferta de 10 mil swaps por dia até o fim do mês, o BC vai rolar quase a totalidade dos contratos.

O BC também vendeu a oferta total diária de 4 mil swaps, com 500 contratos para 1º de dezembro deste ano e 3,5 mil para 2 de fevereiro do próximo, com volume de US$ 198,7 milhões.

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