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Câmbio segue desempenho da moeda no exterior

Reuters

Dólar: alta de 2,68% nas últimas 4 sessões
Thinkstock/Getty Images
Dólar: alta de 2,68% nas últimas 4 sessões

O dólar fechou a quarta sessão consecutiva em alta ante o real nesta quarta-feira (4), já no patamar de R$ 2,28, seguindo o desempenho da moeda no exterior, apesar de o Banco Central manter o leilão maior de rolagem de swap [ equivalente a vendas de dólares no mercado futuro ] e o governo reduzir imposto nas operações de empréstimos no exterior.

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O dólar subiu 0,24%, para R$ 2,2836 na venda, maior patamar desde 26 de março passado, quando fechou a R$ 2,3084. Nas últimas quatro sessões, a alta acumulada é de 2,68%. Segundo a BM&F, o giro ficou em torno de US$ 1,1 bilhão.

"O mercado ficou mais sensível nesta véspera de eventos importantes", afirmou o economista da Lerosa Investimentos Carlos Vieira.

BC europeu deve anunciar novas medidas de estímulo

A divisa subiu no exterior com cautela antes da reunião do Banco Central Europeu (BCE). A expectativa é de que a autoridade monetária anuncie na quinta-feira (5) novas medidas de estímulos e, por isso, os investidores preferiram a cautela antes. Nesta sessão, o dólar subiu em relação ao euro e ao iene.

Além disso, o mercado está atento à divulgação do relatório de emprego nos EUA sexta-feira (6), que pode trazer indícios sobre o futuro da política monetária pelo Federal Reserve, banco central americano.

A alta do dólar nesta sessão veio mesmo após o governo anunciar, pela manhã, que reduziu a zero a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as captações externas com prazo acima de 180 dias. Em tese, a medida tem potencial para atrair mais dólares ao país e evitar mais valorizações da moeda norte-americana. 

"A percepção do mercado é de que a medida tem efeito pequeno em termos de dinâmica futura do câmbio", afirmou o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

O anúncio do Banco Central de que manteria a oferta de até 10 mil swaps cambiais nesta sessão para rolagem dos contratos que vencem em julho também não foi suficiente para evitar que a escalada do dólar continuasse. E vendeu o lote total, tendo rolado até agora o equivalente a pouco mais de 12% do total que no próximo mês, correspondente a  US$ 10,060 bilhões. 

Analistas e operadores acreditam que o governo e o BC estão reforçando a estratégia para reduzir a cotação do dólar e evitar que o câmbio contribua para pressionar ainda mais a inflação.

"O governo está chamando investidor de curto prazo para tentar aumentar o fluxo porque o problema é a inflação. É por isso que o governo e o BC não querem um dólar muito valorizado para não prejudicar a inflação", afirmou o superintendente de câmbio da Advanced corretora, Reginaldo Siaca.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, no entanto, negou que a retirada do IOF tenha sido motivada por preocupações com a inflação. Segundo ele, a medida tem por objetivo "normalizar" o mercado de câmbio e melhorar as condições de financiamento para alguns setores da economia.

A inflação ao consumidor no país tem dado sinais de desaceleração, mas se mantém no incômodo patamar de 6% ao ano, perto do teto da meta do governo.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de 4 mil swaps cambiais do seu programa de intervenções diárias.

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