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No mercado futuro de juros, operadores estão precificando uma alta já em abril de 2015

Reuters

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, vai provavelmente encerrar o seu programa de compra de ativos entre setembro e dezembro deste ano, e pode iniciar a elevação das taxas de juros cerca de seis meses depois, afirmou a chair do Fed, Janet Yellen, nesta quarta-feira (19).

O comentário mostra uma direção mais agressiva na direção da elevação das taxas de juros do que alguns investidores previam, o que fez as ações e os bônus nos EUA caírem. No mercado futuro de juros, operadores estão precificando uma alta já em abril de 2015.

-Leia também: BC dos EUA corta mais US$ 10 bilhões de estímulos monetários

"Ela certamente antecipou o cronograma um pouco e eu não acho que o mercado estava esperando isso de maneira alguma, pois ela tem o perfil mais expansionista do que contracionista", afirmou o presidente-executivo do Clearpool Group, Peter Kenny.

Janet Yellen, nova presidente do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos
AP
Janet Yellen, nova presidente do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos

Ao anunciar a sua visão sobre os juros no futuro após dois dias de reunião, o Fed retirou diversas diretrizes que vinham sendo usadas para ajudar o público a antecipar quando irá finalmente elevar a taxa de juros overnight que está em zero.

Yellen aproveitou a sua primeira entrevista coletiva para enfatizar que as taxas de juros vão se manter baixas por um período, serão elevadas de maneira gradual e podem ficar abaixo do normal "por algum tempo" mesmo depois de a economia recuperar a saúde, dado as duradouras cicatrizes da crise financeira.

Yellen encontrou dificuldades para explicar que o abandono da taxa de desemprego de 6,5% como diretriz definitiva para a elevação dos juros não significa mudança na política monetária. O Fed afirmou que, ao invés da taxa de desemprego, vai passar a avaliar uma série de indicadores econômicos para decidir seus próximos passos.

A chair do Fed também disse que as autoridades vão olhar não apenas o quão próximas as taxas de inflação e de desemprego estão das metas, mas também o quão rápido estão se aproximando desses objetivos.

O BC dos EUA informou no comunicado que a manutenção de política expansionista ocorrerá mesmo depois de o Fed atingir o objetivo de pleno emprego e 2% de inflação.

Na entrevista, Yellen disse que as autoridades do Fed citaram "impactos residuais da crise financeira" para manter a política expansionista, com alguns indicando que a taxa potencial de crescimento da economia pode ser menor por algum tempo.

Mesmo assim a maioria das autoridades do Fed espera que a taxa de juros suba em 2015, de acordo com as previsões divulgadas pelo BC.

O banco central também deu continuidade às reduções do imenso programa de compra de títulos, anunciando que vai reduzir as aquisições mensais de treasuries e títulos lastreados em hipotecas para US$ 55 bilhões, ante US$ 65 bilhões.

O presidente do Fed de Minneapolis, Narayana Kocherlakota, foi dissidente, afirmando que desistir da referência à taxa de desemprego pode afetar a credibilidade do compromisso do Fed com inflação de 2%.

Retirada

A decisão de continuar a reduzir o estímulo mantém o Fed no caminho apresentado por Ben Bernanke, antecessor de Yellen. O Fed repetiu que planeja continuar reduzindo as compras de ativos em "passos graduais" desde que as condições do mercado de trabalho continuem melhorando e a inflação mostre sinais de voltar à meta.

Das 16 autoridades do Fed, apenas uma acredita que será apropriado elevar a taxa de juros neste ano; 13 esperam uma elevação no ano que vem e 2 veem a primeira alta dos juros em 2016, de acordo com as novas projeções publicadas na quarta-feira (19).

E uma vez iniciado o processo de alta dos juros, as autoridades do Fed veem agora elevações mais acentuadas do que viam em dezembro, com juros a 1% no fim de 2015 e em 2,25% no fim de 2016, de acordo com a mediana das previsões.

Em dezembro, as autoridades do Fed esperavam que a taxa de juros de curto prazo chegaria a 1,75% apenas no fim de 2016.

As novas previsões também mostram que as autoridades do Fed veem o desemprego caindo de maneira mais rápida, para entre 5,6% e 5,9% ao fim de 2015. Em dezembro, as previsões eram de desemprego caindo para entre 5,8% a 6,1% no quarto trimestre de 2015.

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