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A primeira das três grandes agências de risco desembarca semana que vem no país para medir nossa capacidade de honrar compromissos. Governo está confiante

A diretora para ratings soberanos da América Latina da agência de risco Standard &Poor’s (S&P), Lisa Schineller, estará no Brasil na próxima semana, quando será recebida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, e por representantes de diversos órgãos do governo, como os diretores do BC e os secretários do Tesouro Nacional, Arno Augustin, e de Política Econômica, Márcio Holland. O objetivo é colher informações sobre a economia brasileira para uma nova rodada de avaliação da classificação de crédito do país. No dia 6 de junho do ano passado, a S&P colocou a nota brasileira em “perspectiva negativa”, ou seja, sinalizou que poderia revisar para baixo a nota brasileira, hoje BBB. As outras duas agências de risco mais tradicionais — Fitch e Moody’s — costumam marcar suas visitas em abril e maio.

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, receberá comitiva da agência Standard and Poor's no Brasil
Agência Brasil
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, receberá comitiva da agência Standard and Poor's no Brasil

A agenda de Schineller prevê passagem por Brasília na quinta e sexta-feira da semana que vem, e pelo Rio de Janeiro e São Paulo no início da semana seguinte, onde ela também terá encontros com consultorias econômicas e financeiras, montadoras, indústrias do setor de energia, formadores de opinião e cientistas políticos. Os compromissos no Rio incluem visitas à Petrobras e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Durante as visitas, a equipe da agência examinará com lupa a evolução das contas do governo (aí incluídos os resultados de Previdência Social, evolução de receitas, despesas e resultados primário e nominal), a trajetória da dívida pública e o comportamento das contas externas. Em geral, dois meses após a visita, a S&P emite um relatório.

Dentro do governo, avalia-se que a visita ocorre em um contexto mais benigno do que aquele que levou a agência a sinalizar um rebaixamento. Para integrantes da equipe econômica, a meta de superávit primário das contas públicas para 2014 (fixada em 1,9% do PIB) e o crescimento de 0,7% do PIB no último trimestre de 2013 ajudarão a suavizar o olhar crítico dos economistas da agência. Ao colocar a nota da dívida externa do Brasil sob “perspectiva negativa”, em junho do ano passado, a S&P mencionou o baixo crescimento econômico, os fracos fundamentos fiscais e externos e a perda da credibilidade da política como possíveis motivos para uma eventual queda na classificação.

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Desde então, o governo vem tentando dar sucessivos sinais de compromisso com a responsabilidade fiscal, da sustentabilidade da política econômica e de sua disposição de atrair investimentos. O esforço de melhorar a comunicação com os mercados internacionais incluiu a própria presidente Dilma Rousseff, quando participou pela primeira vez do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em janeiro. A meta de superávit de 1,9% — apontada pelo Ministério da Fazenda como “levemente contracionista” — a decisão de não conceder novas desonerações a setores produtivos da economia e o anúncio da redução dos empréstimos do Tesouro Nacional ao BNDES, (apontados como um dos principais mecanismos de “contabilidade criativa”) integram a mesma estratégia.

A melhoria do ambiente externo também ajuda, avaliam integrantes do governo, já que reduz os riscos de alterações bruscas nos fluxos de capitais internacionais em direção ao Brasil e abre algum espaço para o crescimento mundial, influenciando o crescimento doméstico. Em fevereiro, aponta análise do Itau-Unibanco,os ativos brasileiros mostraram maior estabilidade. “O real apreciou 3,8% no mês, beneficiado por um ambiente externo menos volátil e pela percepção positiva de parte do mercado sobre o anúncio de contingenciamento fiscal no Brasil. O risco-país recuou 17%, de 206 para 170 pontos, enquanto o Ibovespa caiu 1,1% em reais, mas subiu 2,8% em dólares”, informa o banco em um de seus relatórios. O governo espera contar, ainda, com avaliações menos críticas do mercado após o corte orçamentário de R$ 44 bilhões, realizado para viabilizar a meta de superávit de 1,9%. Embora idêntica à executada em 2013, a meta foi relativamente bem recebida pelo mercado. Diversos analistas consideraram-na “o esforço possível” em um ano eleitoral que inviabiliza a discussão de quaisquer medidas mais severas no Congresso.

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O Brasil possui há anos contratos para classificação de seu risco de crédito com as agências S&P, Fitch Ratings Fitch e Moody’s Investor Service. A classificação, chamada de rating, é uma nota dada de acordo com a capacidade e a disposição de um país em honrar, pontual e integralmente, os pagamentos de sua dívida. Trata-se de uma bússola para investidores, pois fornece uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida do país analisado.

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