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Em 13 meses foram anunciadas 65 operações envolvendo 9,2 bi de papéis; com Bolsa em queda, tendência segue

Brasil Econômico

A queda dos preços das ações e consequentemente do valor de mercado das empresas abertas na Bolsa está fazendo muitas delas decidirem aproveitar a baixa para recomprar seus papéis. Em pouco mais de 13 meses (de janeiro de 2013 a até o último dia 14), 55 companhias tomaram a decisão, anunciando 65 operações de recompra que, juntas, somam 9,2 bilhões em papéis, preferenciais e/ou ordinários. Somente neste mês quatro novas foram anunciadas: BM&F Bovespa, Grendene, Saraiva e Helbor Empreendimentos.

Recompras de ações está em alta no mercado financeiro
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Recompras de ações está em alta no mercado financeiro

A decisão de recomprar ações tem como motivo principal aproveitar a queda dos preços das ações para recompor o capital a preços mais baixos - e a tendência não depende de setor de atuação, tamanho ou tempo de pregão: atinge de gigantes como o Banco do Brasil até a pequena Senior Solution. A própria administradora do mercado, BM&FBovespa, anunciou na semana passada uma nova operação, de 100 milhões de ações, 5,4% do total no mercado.

“O objetivo do programa é maximizar a geração de valor para os acionistas, por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital”, disse Eduardo Refinetti Guardia, diretor executivo de produtos e de relações com investidores da Bolsa, em comunicado que anunciou a operação.

“Com menos ações no mercado, a empresa paga mais dividendos por ação”, explica Pedro Galdi, analista da corretora SLW. “Sempre que uma empresa decide recomprar suas ações, mostra que acredita que está subavaliada no mercado”, afirma. No caso da Bolsa, por exemplo, os papéis valiam R$ 11,4 no último pregão de 2010 e fecharam ontem em R$ 9,5. “A gestão está confiante de que o preço das ações no mercado não representa o ‘case’ da empresa e anunciaram a continua e agressiva recompra de ações”, diz Lenon Borges, da Corretora Ativa.

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O volume de negócios registrados desde janeiro do ano passado é alto mas não espanta, diz Galdi, uma vez que a tendência é de queda das ações. Não é possível comparar a evolução recente com períodos anteriores pois a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não disponibiliza ao público dados mais antigos no site.

No caso da BM&FBovespa, as ações adquiridas no âmbito do programa de recompra serão canceladas ou utilizadas para a execução do plano de opção de compra de ações da companhia ou de outros planos aprovados pela assembleia geral. No ano passado a Bolsa recomprou 60 milhões de papéis, parte de uma operação anunciada em junho e encerrada em janeiro.

No caso da Grendene, as 1,5 milhão de ações vão ficar em tesouraria. “O objetivo é lastrear o plano de incentivos aos administradores e empregados elegíveis ao programa de opção de compra de ações”, diz o comunicado da companhia. A empresa tem 76,68 milhões de papéis no mercado.

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Já na Saraiva, as ações ficarão em tesouraria e poderão ser canceladas ou revendidas. A empresa tem 24,05 milhões de ações em circulação, entre ON e PN, e pretende recomprar até 2,09 milhões. E a Helbor empreendimentos vai recomprar 10% dos seus 110,25 milhões de papéis para manter em tesouraria e, eventualmente, cancelá-los.
A maior oferta de recompra anunciada no ano passado foi do Santander Brasil, de quase oito milhões. É um programa que vem sendo renovado e não concluído.

As recompras são realizadas de acordo com a Instrução 10, da CVM. Das anunciadas desde janeiro de 2013,só cinco foram integralmente efetivadas: Bradespar, Tarpon, Daycoval e BM&FBovespa.

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