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Decisão do banco central dos EUA fez a cotação da moeda cair 0,13% e encerrar a R$ 2,278

Agência Estado

O Banco Central (BC) se esforçou para segurar o avanço do dólar na manhã desta quarta-feira (31) por meio de três leilões de swap cambial, mas não obteve sucesso. Apenas quando o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anunciou a decisão de política monetária à tarde, a moeda dos EUA reverteu para o território negativo e se acomodou, para encerrar a última sessão do mês em baixa de 0,13% no balcão, cotada a R$ 2,278.

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O início da quarta-feira (31) foi de estresse. Às 9h32, a cotação atingiu a máxima do dia a R$ 2,3020 (+0,92%), maior patamar durante os negócios desde 1º de abril de 2009. A busca por segurança antes do anúncio do Fed, a pressão dos investidores comprados (que apostam na alta do dólar ante o real) para determinação da Ptax de fim de mês e os dados positivos sobre a economia americana traziam forte pressão de alta. A Ptax é uma cotação média do BC que na última sessão do mês serve para liquidar contratos futuros.

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Às 9h32, a cotação atingiu a máxima do dia a R$ 2,3020 (+0,92%), maior patamar desde 1º de abril de 2009
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Às 9h32, a cotação atingiu a máxima do dia a R$ 2,3020 (+0,92%), maior patamar desde 1º de abril de 2009

Neste cenário, o BC fez três leilões de swap (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro) praticamente em sequência. No primeiro, a autoridade monetária vendeu todos os 30 mil contratos (US$ 1,49 bilhão) oferecidos. No segundo, de 30 mil contratos, apenas 15,3 mil foram vendidos. No terceiro, não houve negócio para a oferta de 15 mil contratos.

No início da tarde, a moeda estava novamente próxima de R$ 2,30, com os investidores à espera do Fed. A apreensão era reforçada pelos dados divulgados mais cedo nos EUA e pelo fluxo cambial brasileiro.

Um relatório da Automatic Data Processing/Macroeconomic Advisers (ADP/MA) informou que o setor privado dos EUA criou 200 mil empregos em julho, acima da previsão de 183 mil.

O Produto Interno Bruto (PIB) preliminar do país subiu 1,7% no segundo trimestre, também acima de 0,9% esperado. Como vem ocorrendo, números melhores nos EUA reforçam a percepção de que o Fed está próximo de iniciar a redução de seu programa de bônus. À tarde, o BC brasileiro informou que US$ 2,044 bilhões líquidos saíram do País em julho, até o dia 26.

Apenas depois que o Fed anunciou sua decisão, a moeda americana perdeu força ante o real. O BC dos EUA deixou a política monetária sem alterações e caracterizou o crescimento da economia americana como "modesto" pela primeira vez em três anos.

Apesar disso, as preocupações com o patamar do dólar permanecem. Os analistas são unânimes em afirmar que a tendência é de alta. Pior: o BC está em situação delicada, porque não tem espaço, considerando a inflação corrente, para deixar o dólar subir muito mais. E os leilões de swap podem não ser mais tão eficazes para segurar a cotação —como não foram neste pregão.

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