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Segundo o balanço divulgado em Madri, apesar da acomodação, o Brasil continua como a principal filial em termos de geração de lucros para a casa

Agência Estado

O lucro gerado pela filial brasileira do espanhol Santander caiu 15,8% no segundo trimestre de 2013 na comparação com os três meses anteriores. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira, a filial registrou lucro de € 420 milhões no trimestre. O banco atribui a piora dos números ao menor crescimento do crédito, mudança do mix dos financiamentos e redução dos juros. Segundo o balanço, a receita obtida com juros no trimestre diminuiu 3,2% na comparação com os três meses anteriores, para 2,713 bilhões de euros.

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A margem financeira bruta do banco caiu 6,1%, para € 3,562 bilhões, e a margem financeira líquida terminou o trimestre em queda de 9,3%, para € 2,202 bilhões. No acumulado do primeiro semestre, o lucro da filial brasileira somou 919 milhões de euros. A cifra revela queda de 19,4% na comparação com o primeiro semestre de 2012.

No balanço, o banco explica a queda do resultado pela pressão negativa nas receitas, que caíram 5,6% na comparação semestral. A piora ocorreu "pelo menor crescimento do crédito, mudança no mix dos financiamentos e impacto da queda dos juros", diz a sede espanhola.

O novo presidente da instituição, Javier Marín, que substituiu Alfredo Sáenz Abad no fim de abril, destacou que a redução das receitas no Brasil ocorreu em um cenário de redução de spreads no mercado. Na média, o spread praticado pelo Santander Brasil recuou de 12,3 pontos porcentuais no segundo trimestre de 2012 para 11,1 pontos no primeiro trimestre de 2013 e 10,5 pontos no segundo trimestre de 2013. "Houve ainda mudança no mix das operações, com maior peso do crédito imobiliário para famílias e para as pequenas e médias empresas. Por outro lado, houve redução do peso do crédito para consumo", disse Javier Marín em teleconferência para analistas.

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Na comparação entre os meses de junho de 2013 e 2012, a carteira de financiamento imobiliário do Santander Brasil, por exemplo, teve salto de 28%. No crédito a PME houve alta de 10%. Já o crédito para veículos teve contração de 3%. Na média, a carteira cresceu 6% na comparação com junho de 2012.

Parcela

A participação da filial brasileira no lucro do grupo espanhol Santander diminuiu ligeiramente nos últimos meses. O balanço mostra que a fatia do resultado gerado pelo Brasil foi de 25% no primeiro semestre de 2013. O porcentual é menor que o observado nos seis primeiros meses de 2012, quando a filial gerou 26% do lucro.

Segundo o balanço divulgado em Madri, apesar da acomodação, o Brasil continua como a principal filial em termos de geração de lucros para a casa. No semestre, o Brasil gerou praticamente o dobro da segunda operação mais rentável: o Reino Unido. No mesmo período, o Santander UK foi responsável por 13% do resultado. Outras operações com participação importante no resultado são México e Estados Unidos, ambas com parcela de 12% do lucro. Comparado ao ano passado, Reino Unido e México mantiveram a participação no lucro.

A filial dos EUA, porém, aumentou a geração de resultado, já que no primeiro semestre de 2012 havia respondido por 10% do montante. A maior parcela da filial norte-americana acontece em um período de reação da economia dos EUA.

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A Espanha gerou apenas 8% do lucro do Santander no semestre. Em meio à crise econômica no país e a reestruturação do setor bancário espanhol - que excluiu as operações imobiliárias de difícil liquidação do sistema financeiro, o número revela forte queda em relação à participação da sede de 14% do lucro registrada no primeiro semestre do ano passado.

O grupo Santander registrou lucro de 1,050 bilhão de euros no segundo trimestre de 2013. O valor revela queda de 12,8% na comparação com os três primeiros meses do ano e retração de 26,4% na comparação com o segundo trimestre de 2012, quando o banco havia lucrado 1,427 bilhão de euros.

Lucro líquido societário

O Santander Brasil anunciou lucro líquido societário de R$ 501 milhões no segundo trimestre de 2013, redução de 9,76% em relação à cifra registrada em igual intervalo do ano passado, seguindo o padrão contábil brasileiro, o BRGaap. Ante o primeiro trimestre, a queda foi de 17,8%. No critério gerencial, o lucro da instituição totalizou R$ 1,410 bilhão, declínio de 3,69% ante um ano e de 7,2% na comparação com o trimestre anterior.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado, excluindo ágio, do Santander Brasil baixou de 11,5% no segundo trimestre de 2012 para 10,9% no mesmo intervalo deste ano. Ante os três primeiros meses de 2013, a queda foi de 1,1 ponto porcentual.

A carteira de crédito ampliada do Santander totalizou R$ 266,708 bilhões ao final de junho, expansão de 3,8% em relação a março. No comparativo anual, o crescimento foi de 22,3%. O maior crescimento da carteira de crédito do Santander foi visto no segmento de grandes empresas, com crescimento de 7,7% no segundo trimestre ante o primeiro.

Na contramão, a linha de pequenas e médias empresas, foco de expansão do Santander no Brasil, teve retração de 1,5%. Pessoa física cresceu 1,2% e financiamento ao consumo apresentou expansão de 2,2% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores. De abril a junho, os ativos totais do banco espanhol no Brasil somaram R$ 468,050 bilhões, montante 7,51% maior que o registrado no mesmo intervalo de 2012.

Em relação ao primeiro trimestre, foi visto aumento de 4,3%. O Santander encerrou o segundo trimestre com patrimônio líquido final de R$ 52,776 bilhões, 3,33% superior ao registrado em 12 meses e 3,2% maior que o obtido no primeiro trimestre de 2013.

Semestre

O Santander também divulgou os números referentes ao primeiro semestre. O banco apresentou lucro líquido societário de R$ 1,110 bilhão, queda de 22,3% em um ano. No critério gerencial, o lucro do banco ficou em R$ 2,929 bilhões no período, queda de 9,8%, na mesma base de comparação. O retorno sobre o patrimônio líquido do espanhol Santander ficou em 11,4% ante 13,4% visto um ano antes.