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Desvalorização generalizada na Bovespa fez companhias perderem mais de R$ 330 bilhões em valor e casos como OGX, LLX e Lupatech são os mais emblemáticos. Pelo menos 18, valem menos da metade do que em 2012

Brasil Econômico

A alta de quase 3% registrada pelo Ibovespa ontem não altera o cenário que algumas empresas enfrentam este ano. Muitas valem hoje pouco mais de 10% do que valiam ao final do ano passado. É o caso de OGX, LLX e, em um pior cenário, Lupatech. O valor de mercado das duas primeiras empresas equivale a 11,5% e 8,4%, respectivamente, do registrado ao final do ano passado. Contudo, o caso mais grave é mesmo o da Lupatech. O valor de mercado da fornecedora de sistemas e serviços para indústria de óleo e gás equivale a 2,4% do apresentado em dezembro do ano passado.

Muitas empresas do Ibovespa valem hoje pouco mais de 10% do que valiam ao final do ano passado
Danilo Chamas / Fotomontagem iG sobre SXC
Muitas empresas do Ibovespa valem hoje pouco mais de 10% do que valiam ao final do ano passado

Os problemas da companhia começaram com 2007, com a descoberta do pré-sal e a estratégia de centralização das vendas na Petrobras, segundo Mário Bernardes Júnior, analista do BB Investimentos. Ele lembra que com a crise de 2008, a demanda por petróleo caiu, bem como os investimentos feitos pela Petrobras. “Foi então que a companhia começou a apresentar um alto endividamento e uma baixa geração de caixa. A Lupatech até tentou reverter esse cenário — ao vender ativos menos rentáveis, ajustar seus foco de atuação em oil service e receber aporte privados de seus acionistas —, mas os resultados não vieram. Tanto é que deixou de pagar os rendimentos de debêntures e bônus perpétuos de três títulos diferentes recentemente. Com isso, emitiu sinais negativos aos investidores, que se desfizeram os papéis da empresa”, explica o analista.

No acumulado do ano, até ontem, as ações preferenciais da companhia apresentavam desvalorização de quase 70% e no curto prazo esse cenário não deve se alterar. “É possível que o valor de mercado da empresa recue ainda mais. Será preciso acompanhar a divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre”, diz Bernardes Júnior, que acredita que sejam fracos. “Para reverter esse cenário, o mais indicado seria a Lupatech pulverizar o portfólio de atuação e buscar alternativas para reduzir seus custos ao máximo”, completa.

As “empresas X”, do empresário Eike Batista, também derreteram na bolsa esse ano. O caso mais emblemático é o da OGX, cujo valor de mercado despencou de R$ 14,1 bilhões registrados ao final do ano passado, para R$ 1,61 bilhão apresentados na quinta-feira passada. “O mercado acionário como um todo sentiu os efeitos de um cenário interno e externo mais desafiador. Mas as empresas X sofreram com a falta de confiança dos investidores”, afirma Bruno Gonçalves, analista da Wintrade/Alpes Corretora.

Das empresas que haviam registrado queda em valor de mercado este ano, a perda era de R$ 266 bilhões, mais do que vale a Ambev, a maior empresa em valor de mercado, na bolsa brasileira, segundo levantamento da Técnica Assessoria em Mercado de Capitais. “O valor é bastante expressivo, mas só devemos ver uma reversão de tendência a partir do ano que vem, quando a inflação der sinais de arrefecimento, quando atingirmos o teto das estimativas para a Selic e quando as empresas retomarem os investimentos”, pondera Nataniel Cezimbra, chefe da equipe de analistas do BB Investimentos.

A corretora, que projetava o Ibovespa aos 63 mil pontos ao final do ano, deve revisar para baixo esse número ao final da temporada de resultados referentes ao segundo trimestre.

Já Marcelo Torto, analista da Ativa Corretora, diz que esse cenário assusta tantos os investidores que já estão posicionados em ações, quanto os que querem ingressar na bolsa de valores. “Há sinais claros de risco sistêmico. As políticas intervencionistas afastaram os investidores, em especial os estrangeiros. E enquanto o governo não controlar a inflação e mostrar crescimento no nível de investimentos, bem como do Produto Interno Bruto (PIB), o investidor não vai voltar à BM&FBovespa”, reforça.

Todos concordam que um divisor de águas será os leilões de concessões de rodovias, previstos para os próximos meses. “Dependendo do apetite dos players em participar das operações, especialmente os estrangeiros, podemos começar a ver uma melhora no desempenho da bolsa brasileira. Isso deve mostrar que o investidor confia no desempenho do país no médio/longo prazo”, completa o analista da Ativa.