Tamanho do texto

Dados econômicos chineses, discursos de Ben Bernanke, presidente do Fed, e arrefecimento, ainda que discreto, de alguns indicadores brasileiros de inflação trazem alento

Brasil Econômico

Bovespa
Getty Images
Bovespa

Já é possível ver uma luz no fim do túnel para a bolsa brasileira. Pelo menos é a sinalização dada pelas notícias da semana passada. Tanto é que o principal índice acionário da BM&FBovespa avançou 4,1% nos últimos pregões e registrou o melhor desempenho semanal desde setembro do ano passado.

“O fato de a China ter apresentado dados econômicos em linha com os projetados pelo mercado financeiro foi alentador. Aliado a isso, os discursos de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve — que reiterou que o banco central continuará com a política monetária acomodatícia no futuro próximo — e o arrefecimento, ainda que discreto, de alguns indicadores brasileiros de inflação, nos levam a ver uma luz no fim do túnel”, diz Denis Bottini, gestor de investimentos da Coinvalores.

Para ele, ainda há muito que melhorar, tanto interna quanto externamente. “Mas dá para ficar otimista com futuro e menos pessimista com realidade”, afirma Bottini, lembrando que a grande preocupação de quem segue a análise gráfica era o Ibovespa se afastar muito dos 48 mil pontos. “Se isso acontecesse, o índice poderia buscar os 42 mil pontos e, considerando o atual patamar da divisa americana, significaria voltar aos 29 mil pontos observados no auge da crise financeira de 2008, só que em dólar. Teria sido péssimo para o fluxo que ingressa no mercado acionário, especialmente o de investidores estrangeiros”, completa o gestor de investimentos.

Os últimos dados disponibilizados pela bolsa brasileira davam conta da retirada de R$ 207 milhões de recursos estrangeiros em julho, até o dia 17, o que resultada em um saldo positivo de R$ 4,01 bilhões no ano.

Ao longo dos próximos dias, os investidores devem acompanhar atentamente a divulgação dos resultados financeiros. Além do Bradesco, Pão de Açúcar, Fibria e Natura divulgam o balanço referente ao segundo trimestre.

CPFL Energias Renováveis recua no dia da estreia

As ações da estreante CPFL Energias Renováveis encerraram o pregão em queda de 3,92%, cotadas a R$ 12,02. Os papéis já tinham sido precificados no preço mínimo da faixa indicada pelos bancos coordenadores da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da companhia, de R$ 12,51 por ação.

“O cenário ainda não tem sido dos mais favoráveis para qualquer tipo de operação nova. O contexto doméstico não tem animado os investidores”, diz Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, ao mencionar intervenções do governo no setor elétrico e as dificuldades de empresas do grupo EBX, que têm afetado a percepção de investidores.

Mas não foram só as ações da empresa de energias renováveis do Grupo CPFL Energia que recuaram forte. O setor de energia como um todo apresentou queda na sexta-feira — Eletropaulo, Energias do Brasil e Transmissão Paulista perderam mais de 3% —, após o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgar ter encontrado disparidades, para mais e para menos, nos valores dos ativos calculadas pelo governo federal que servirão de base para indenizações a serem pagas a transmissoras de energia que tiveram concessões renovadas antecipadamente no fim de 2012. Com Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.