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Depois de um mês sem nenhum bônus emitido no exterior por instituições brasileiras, surge uma breve “fresta”

Brasil Econômico

Apesar do cenário ainda conturbado, a bem sucedida captação do Banco do Brasil (BB) em euros, concluída ontem, mostrou que há frestas de oportunidades a serem aproveitadas. E pode abrir caminho para outras instituições financeiras brasileiras, que estão fora do mercado de capitais externo desde junho, trilharem o mesmo caminho. O BB levantou € 700 milhões , por cinco anos, com rendimento de 3,875% para o investidor — abaixo dos 4,5% pagos por emissão semelhante feita pelo banco em 2011.

Banco do Brasil levantou € 700 milhões
AFP
Banco do Brasil levantou € 700 milhões

A expectativa é que a Caixa Econômica Federal seja a próxima. Executivos da instituição já informaram que tinham intenção de ir a mercado em julho, e algumas fontes no mercado acreditam que existe uma grande possibilidade de o outro banco estatal brasileiro se apressar a seguir os passos do seu par. A Caixa pretende levantar entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões, mas segundo a assessoria de imprensa da instituição, ainda está escolhendo o banco coordenador da oferta. O banco confirma apenas que está atento, monitorando as condições do mercado.

“Foi uma fresta que surgiu após a fala do presidente de Ben Bernanke”, disse Daniel Alves Maria, gerente executivo da diretoria de finanças do BB, referindo-se ao discurso feito anteontem pelo presidente do Fed, banco central dos Estados Unidos, sinalizando que a redução dos estímulos à liquidez no país deve começar somente em dezembro. “A operação foi a mercado em Londres às quatro horas da manhã do Brasil”, disse. Para ele,é natural que a captação do BB abra caminho para outras: “ É um efeito colateral”, diz.

O dinheiro levantado pelo BB, segundo Maria, vai financiar operações do banco em moeda estrangeira, como empréstimos sindicalizados a outros bancos - portanto, não corre risco cambial e, também, não deve ingressar no Brasil. Além da oportunidade para a captação — a Europa foi escolhida pela existência de “poças de liquidez momentâneas” — Maria diz enxergar oportunidades de aplicação desses recursos junto a clientes no exterior.

Anteontem, outro banco brasileiro, o Daycoval, havia se aventurado a contrair dívida em moeda estrangeira. O banco médio conseguiu US$ 50 milhões diretamente do IFC, braço do Banco Mundial para financiamento ao setor privado; e mais duas tranches, uma de US$ 184,5 milhões e outra em euros no valor de € 30,5 milhões, de um pool de bancos (empréstimo sindicalizado). Os vencimentos variam de dois a três anos e os recursos devem apoiar a expansão dos financiamentos para pequenas e médias empresas. O custo não foi divulgado.

De acordo com relatório da Anbima, não houve nenhuma oferta de bônus no exterior em junho. A entidade não capturou a emissão do Santander Brasil, de 125 milhões de francos suíços (cerca de US$ 130 milhões), com vencimento em 2015. Mesmo assim, a captação externa acumulada no primeiro semestre de 2013 teria ficado em US$ 25,2 bilhões, queda de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. As instituições financeiras captaram R$ 4,8 bilhões no semestre, 41,2% menos do que o acumulado no mesmo período de 2012.

A operação do Santander, segundo o executivo do banco responsável, Álvaro Carbajosa Fernández , não se destinou a nenhuma finalidade específica nem foi motivada por necessidade de liquidez - apenas pela oportunidade. No mês passado, apenas outro banco, o Itaú BBA, havia acessado o mercado: conseguiu US$ 1,5 bilhão de um sindicato de bancos. “Foi a maior operação de empréstimo jamais feita a um banco latino-americano” disse na época Marcelo Rosenhek, diretor da instituição. O dinheiro também não tem destinação específica, e vai para a tesouraria do banco. O custo não foi informado.